Atributos de Deus

DEUS ATUA EM TODOS OS ACONTECIMENTOS DA VIDA HUMANA?

frigideira

Será que Deus realmente se faz presente em todas as coisas?

Porventura, aquele que é o poder absoluto e supremo de tudo e de todos, desceria à condição de gerenciador de pormenores em situações e acontecimentos ínfimos, banais e cotidianos da vivência humana?

Difícil imaginar o criador e soberano de todo universo, ordenando trivialidades como o resultado de um jogo de futebol; interferindo no desenrolar de uma receita de bolo ou determinando uma falha na memória que decorra no esquecimento do pagamento da tarifa de luz, telefone ou água.

Teria Deus deixado essas coisas ao total arbítrio do ser humano e ao acaso das circunstâncias que movem os acontecimentos rotineiros da ordem natural e da vivência social e individual, como afirmam os defensores do “teísmo aberto”?[1]

Os teístas ensinam que há situações em que Deus simplesmente se omite, e como Pilatos, lava suas mãos, deixando os acontecimentos e as ações humanas totalmente ao talante do acaso. Ora, tal pensamento conflita com a sentença que o próprio Deus proclamou de si mesmo, para que se guardasse eternamente no depósito da fé da sua verdadeira Igreja:

“Porventura, não encho Eu os céus e a terra? Diz o Senhor. ” (Jeremias 23.24)

Mas por qual razão, Deus, em toda sua Majestade, se ocuparia com problemas e conjunturas cotidianas aparentemente sem qualquer relevância?

Há na Lei Eterna que é o próprio Deus personificado enquanto Legislador Mór, a lógica hierárquica de que incumbe ao superior toda regência e interferência sobre os inferiores.

O superior está sempre no comando de tudo que lhe é inferior.

Somos criaturas mortais, e, portanto, inferiores ao Criador imortal e eterno, razão porque, obviamente, estamos à mercê do seu senhorio e do seu governo soberano universal. É inconteste que só Deus é superior a todas as coisas e todas as criaturas por causa da excelência da sua Natureza Divina.[2]

Diante disto, Ele pode agir, e age efetivamente em tudo, e em todos.

Temos nisso, o atributo da sua Onipresença.

Pela Onipresença, Deus está em todas as coisas, absolutamente todas.

Ora, é só por meio de Deus que todas as coisas existem.

Mas estas não devem a Deus apenas o início de sua existência, senão também a dádiva de continuarem existindo ainda que temporariamente.

“[…] tal é o efeito de Deus nas coisas, não somente quando começam a existir, mas enquanto subsistem […] Logo, é necessário que Deus esteja intimamente em todas as coisas. ” (Suma Teológica. Santo Tomas de Aquino. Q 8 Da Existência de Deus, art. 1° Livro Ia)

Estar em toda parte, e em todas as coisas é próprio de Deus por sua Onipresença:

“Um só Deus e Pai de todos, O QUAL É SOBRE TODOS, e POR TODOS E EM TODOS VÓS. ” (Efésios 4.6)

Resta claro também que Deus não está somente nas coisas corpóreas e incorpóreas, mas em toda parte porque Deus é eterno. E tudo que é eterno é de igual modo infinito, e sendo infinito, é indivisível, não estando na obra criação em parte, senão num todo:

“Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa. ” (Salmos 139.7-12)

Ensina Santo Tomás de Aquino:

“Deus está em todos os lugares. O indivisível é permanente, e não pode estar nas coisas (criação) em partes, senão em todos os lugares. ” (Suma Teológica. Santo Tomas de Aquino. Q 8 Da Existência de Deus, art. 2° Livro Ia)

Assim, Deus existe em todas as coisas, estando nelas como aquele que age sobre elas:

“Porque NELE VIVEMOS, E NOS MOVEMOS, e EXISTIMOS; ” (Atos 17.28)

Todos os atos, fatos e acontecimentos, portanto, estão sob o governo e a vontade soberana de Deus. Desde os pequenos e corriqueiros ao maior dos sacrifícios, nada, absolutamente lhe escapa ao domínio, interferência e controle, pois do contrário, não teríamos um ser Onipresente, mas limitado na forma de sua atuação sobre a obra da sua própria criação.

Se Deus não governasse em tudo, naquilo que ele abriu mão de seu governo haveria uma outra autoridade.

Havendo uma área da vida humana em que Deus não interfere, deixando exclusivamente ao arbítrio humano, então nessa área o ser humano é “deus supremo”, o que decorreria numa crise de autoridade, restando forçoso afirmar que Deus teria dividido sua soberania e Glória no âmbito das coisas criadas:

“Por onde dizer que Deus governa, essencialmente, todas as coisas, ainda que minimamente em suas particularidades. ” (Suma Teológica. Santo Tomás de Aquino. Q 104. Do Governo das Coisas em Comum. art. 6° Livro Ia)

“Será possível que Deus habite na terra? Os céus, mesmo os mais altos céus, não podem te conter. ” (I Reis 8.27)

Mas é certo que todo governo perfeito tem um plano, um propósito final a ser atingido. Estar nas coisas mínimas, regendo-as por sua vontade soberana, não diminui a grandeza de Deus, e sim eleva as coisas supérfluas ou singelas a nobilíssima condição de instrumentos para conferir ao ser humano a consciência da necessidade da graça Divina em sua vida. Ora, uma receita de bolo ou lasanha que não deu certo, deveria exprimir no ser humano a consciência de sua incapacidade, e que sem a cooperação necessária e eficiente de Deus, ele não é capaz sequer de fazer uma receita culinária com perfeição.

Noutro ângulo, o acerto na receita deveria infundir-lhe a consciência de que a ele só é permitido se alimentar por causa da misericórdia e da bondade do Pai Criador. O esquecimento em realizar o pagamento de uma conta bancária deveria também nos incutir a consciência de que somos falíveis, envelhecemos, e que não nos é dada a perpetuidade da vida eterna, e que nosso fim se aproxima dia após dia, razão pela qual, necessitamos cotidianamente estabelecer uma comunhão com o nosso Criador, fonte única e universal da vida eterna.

Até na vida da mais singela das criaturas, Deus interfere para mostrar ao ser humano a dignidade da santificação de batalhar honestamente, com labor, pelo sustento diário:

Vai, ó preguiçoso, ter com a formiga, observa seu proceder e torna-te sábio. ” (Provérbios 6, 6)”

formiga trabalhando

Resta claro que “até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. ” (São Lucas 12,7)

Atuar e interferir sobre o menor, não é senão, a figura do Verbo Encarnado.

O modelo mais perfeito do superior absoluto agindo num inferior extremo, é o fato de Deus ter se feito homem, para através da sua humanidade encarnada nos  dar o sacrifício da salvação:

“[…] ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai. ” (Colossenses 1, 22)”

 

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[1] Teísmo Aberto é uma heresia gnóstica protestante que nega a Onipotência, Onisciência e Onipresença de Deus no universo criado. Defendem seus adeptos, que Deus pode mudar de ideia, bem como, alterar seus planos uma vez que Ele não tem o poder de conhecer o futuro. É de cunho maniqueísta, pois defende que o universo não tem apenas um poder soberano, mas é dividido entre duas forças simétricas, o Bem que é Deus, e o mal. Deus não poderia, por exemplo, impedir um assassinato, pois Ele não comanda senão naquilo que pode prever e atuar. Por essa teoria, o sofrimento humano não seria consequência da Justiça de Deus sobre os atos da natureza pecaminosa, e, neste contexto, defendem que tal sofrimento é totalmente alheio à vontade, ao plano e a interferência de Deus, e assim também as coisas mínimas da natureza criada. Essa doutrina foi inventada pelo pastor Adventista Richard Rice, em seu livro “A Abertura de Deus: A Relação entre a Presciência Divina e o Livre-arbítrio”.

[2]Suma Teológica. Santo Tomas de Aquino. Q 8 Da Existência de Deus nas Coisas.

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