Eucaristia

A CRUZ REALMENTE ESTÁ VAZIA?

O efeito do sacrifício é eterno, por isso, mesmo após o fato passado, no futuro poderemos nos salvar por causa dele. Neste sentido, a cruz ainda está cheia, pois a cruz e o cordeiro são inseparáveis, incindíveis. Sendo o reino de Cristo eterno, eterno é tudo que Ele produziu para institui-lo, o qual está fundado no sacrifício da cruz, que por isso também tem efeito eterno, trazendo como sinal uma coroa de espinhos adornada com seu puríssimo sangue.

O efeito do sacrifício de Cristo permanece eternamente, estando a nossa disposição no Santíssimo Sacramento Eucarístico que Ele institui, e pelo qual não necessitamos de um novo suplício do Verbo Encarnado para que exerçamos em qualquer época, o beneplácito da salvação mediante a comunicação com seu martírio.

Sendo o reino de Cristo eterno, eterno é tudo que Ele produziu para institui-lo, o qual está fundado no sacrifício da cruz, que por isso também tem efeito eterno, trazendo como sinal uma coroa de espinhos adornada com seu puríssimo sangue.

“[…] uma COROA DE ESPINHOS, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: SALVE, REI DOS JUDEUS! (São Mateus 27, 29)

“Vosso reino é UM REINO ETERNO, e vosso império subsiste em todas as gerações. (Salmos 144, 13)” 

Em suas visões apocalípticas, anunciou São João que CRISTO se apresentava publicamente com todas as chagas e mazelas da crucificação que por nós padeceu:

“EU VI no meio do trono, dos quatro Animais e no meio dos Anciãos UM CORDEIRO DE PÉ, como que IMOLADO. (Apocalipse 5, 6)”

“Cantavam um cântico novo, dizendo: TU ÉS DIGNO de receber o livro e de abrir-lhe os selos, PORQUE FOSTE IMOLADO e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; (Apocalipse 5, 9)

“Bradando em alta voz: Digno é o CORDEIRO IMOLADO de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a glória, a honra e o louvor. (Apocalipse 5, 12)”

O mesmo São João, disse que o sacrifício de Cristo já estava pronto desde a criação do mundo:

” hão de adorá-la todos os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos DESDE A ORIGEM DO MUNDO no livro da vida do Cordeiro IMOLADO.” (Apocalipse 13.8)

Leia mais em: https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/apocalipse/13/

Foi nesse Corpo vitimado que Cristo se deixou visível à São Tomé, como prova de fé para ser tocado nas mãos e no lado do peito, onde se produziu o ferimento a lança causado pelo centurião, demonstrando que carregava ainda todas as marcas do abate, nas quais obteremos a Comunhão para expiação dos nossos pecados:

” […] disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. (São João 20, 27)”

“Tomou o PÃO, abençoou-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: TOMAI E COMEI, ISTO É MEU CORPO; tomou depois o CÁLICE, rendeu graças e deu-lhe, dizendo: bebei todos, ISTO É MEU SANGUE, o sangue da Nova Aliança derramado por muitos em remissão dos pecados. ” (Mt 26, 26 à 29)

“O CÁLICE de bênção, que benzemos, não é a COMUNHÃO do SANGUE DE CRISTO? E o PÃO que partimos, NÃO é a COMUNHÃO com o CORPO DE CRISTO? NÃO ENTRAM EM COMUNHÃO COM O ALTAR OS QUE COMEM AS VÍTIMAS?(I Cor. 10. 16, 17 e 18) ”

Eternidade é a posse e o domínio total de um fato ou ato num tempo contínuo e interminável, como ensinou Boécio1

Ora, o ciclo das ações (passado, presente e futuro) é próprio daqueles que não tem domínio, nem soberania sobre o tempo.

Como seres finitos e mutáveis só podemos ter o domínio do tempo em partes.2

O que está no presente, não dispõe do passado que já se extinguiu, como também não domina o futuro porque este ainda não chegou.

Mas sendo Deus ONIPOTENTE e REGENTE UNIVERSAL de toda obra criada, nada lhe escapa do controle, nem o tempo (Cronos), que sendo elemento da criação logicamente lhe é subordinado. Só Deus pode aplicar ao tempo presente, os efeitos do ato futuro ainda não realizado, e de igual modo manter intacto e contínuo no presente e futuro interminável os efeitos reais e práticos da ação sucedida no passado. 

Não temos a posse, nem o domínio da anterioridade ou posteridade, mas apenas da atualidade.

A ressurreição de Cristo não invalidou sua morte como evento real e irreversível, antes, a confirmou, pois é certo que a condição para ressuscitar é morrer. Logo, ressuscitar consumou sua morte como sacrifício puro, perfeito e o único capaz de aplacar eternamente a JUSTIÇA DIVINA ferida por nossa iniquidade.

O sacerdócio Divino e Extraordinário de Cristo implica Nele eternamente a condição de VÍTIMA do seu próprio sacrifício, e simultaneamente SUMO SACERDOTE ofertante que o apresentará sempre por todos nós, diante de Deus.

É dito das suas funções sacerdotais:

“Tu És, Sacerdote Eternamente, segundo a Ordem de Melquisedec. ” (Hebreus 7, 11, 15 e 17)

“ Melquesedec, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, mandou trazer PÃO e VINHO, e abençoou Abraão dizendo: – Bendito seja Abraão pelo Deus Altíssimo, que criou o Céu e a terra. (Gn 14. 17 e 18)

O sacrifício e a crucificação de Cristo, sendo eternos, estão dispostos no passado, presente e futuro, reativando-se nos seus efeitos em cada período, em cada geração por ser infindável, como atestou o Apóstolo:

“A mim, o mais insignificante dentre todos os santos, coube-me a graça de anunciar entre os pagãos a inexplorável riqueza de Cristo, e a todos manifestar o DESÍGNIO SALVADOR de Deus, mistério oculto DESDE A ETERNIDADE em Deus, que tudo criou. 10.Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da sabedoria divina, DE ACORDO COM O DESÍGNIO ETERNO QUE DEUS REALIZOU EM JESUS CRISTO. ” (Efésios 3. 8, 9, 10 e 11)

Completa Santo Agostinho: — Ofereceremos por toda parte, sob o grande Pontífice Jesus Cristo, AQUILO QUE OFERECEU MELQUISEDEC.” (Monsenhor ch. Guay – l`église et les sacrements revista communicantes, n.35, octobre, 1990, p. 4)

Profetizou-se nos primórdios da Revelação Divina, uma adoração perpétua no vinho e pão, ase realizar em todas as gerações:

“2. Tomarás um novilho e dois carneiros sem defeito; PÃES SEM FERMENTO […]; Aarão e seus filhos comerão a sua carne e o PÃO; 40. […] e como libação um quarto de hin de VINHO; 42. Este holocausto será PERPÉTUO; e oferecido, EM TODAS AS GERAÇÕES FUTURAS, à entrada da tenda de reunião, diante do Senhor, ONDE VIREI A VÓS, PARA FALAR CONTIGO.” (Êxodo 29) ”

Esse holocausto perpétuo, ora preanunciado, seria a crucificação e morte de Cristo, o Cordeiro de Deus que desceu do Céu.

Perpetuar é manter infinitamente, conservando sem cessar seus  efeitos e causa, num ato que nunca se encerra, nem se desfaz pelo decurso do tempo.

O sacrifício do Calvário outorgou a CRISTO a condição universal de VÍTIMA ETERNA, e vítima não deixou de ser nem mesmo após sua ressurreição.

O efeito do Calvário não pode ser contido no tempo.

Os antigos profetas que morreram antes de Cristo, não foram salvos sem a Cruz do Cordeiro, e nem pela Cruz vazia serão salvos os que morrerão após a crucificação.

A ressurreição não apagou as chagas do martírio, nem extinguiu as mazelas e lesões que a crucificação produziu, as quais estarão para sempre no Corpo de Cristo.

Além disso, o sacrifício real, eterno e definitivo realizado pelo Verbo Encarnado, substituiu os antigos sacrifícios simbólicos, renováveis e temporais, os quais se concebiam com a imolação de animais:

“[…] não desejais holocausto, nem vítima de expiação, então eu disse: “EIS QUE EU VENHO. ” No rolo do Livro está escrito de mim: (Sl 39. 7, 8)”

E ainda:

“Há na MÃO do SENHOR uma taça de VINHO espumante e aromático. DELA DÁ DE BEBER. E até as fezes hão de esgotá-la; HÃO de SORVÊ-LA os ÍMPIOS TODOS da TERRA. (Sl. 74. 9)”

“sobre a mesa dos PÃES DA PROPOSIÇÃO, o PÃO PERPÉTUO estará sobre ela (Números 7. 4)”

“[…] não faltarão jamais descendentes aos sacerdotes e aos levitas para oferecer os holocaustos, queimar as oferendas e celebrar o SACRIFÍCIO COTIDIANO.3 (Jeremias 33.18)”

Se o efeito da cruz é eterno, é também contemporânea em todas as gerações, porque do contrário, a crucificação só valeria para aquela época, sendo então, necessário que Cristo voltasse a terra em todas as gerações, e “padecesse muitas vezes, desde o princípio do mundo, quando é certo que apareceu uma só vez, adquirindo-nos uma REDENÇÃO ETERNA.” (Hebreus 9, 26 e 11 à 15)

Ele é sacrifício de Justiça Eterna, pois tornou-se PERMANENTE OFERTA pela remissão dos pecados.

As Escrituras anunciam que o sacrifício de CRISTO estaria em todos os cantos da terra, ofertado em todos os lugares, por todos os povos da terra:

“SACRIFICAM a mim em TODO LUGAR e oferecem em meu nome uma OBLAÇÃO TODA PURA, pois grande é o Meu Nome em TODAS as nações. (Mal.1,11)”

Lecionou São Justino, mártir: — “concernente os sacrifícios que vocês (judeus) oferecem; Deus fala por Malaquias: ‘não aceitarei os sacrifícios de suas mãos; oferta pura são os sacrifícios oferecidos em todo lugar POR NÓS, OS GENTIOS, que são o PÃO DA EUCARISTIA, e igualmente, a TAÇA DA EUCARISTIA, que ele falou naquele tempo.” (Diálogo com Trifão, [41, 8 à10], ano 130 DC.)”

Os sinais da natureza humana Onipresente do Verbo Encarnado prolongam-se nos sacramentos, em especial na Eucaristia que é verdadeiramente o Sangue e Corpo de Cristo transubstanciado.)

Disse Isaías, 62. 9, profetizando a instituição do Santíssimo sacramento:

“Aqueles que colherem o TRIGO o COMERÃO louvando ao Senhor; aqueles que vindimarem BEBERÃO o VINHO no átrio de meu SANTUÁRIO. 11.[…] alçai o estandarte para convocar os povos. 11. Eis o que o Senhor proclama até os CONFINS da terra: Dizei a Sião: Eis que AÍ VEM teu Salvador[…]”

E novamente Santo Agostinho: — “Este sacrifício foi estabelecido para tomar o lugar dos sacrifícios antigos. Cristo tornou-se propiciação por nossos pecados na cruz.” (Civita Dei, vol. I)

A ideia de que a Cruz está vazia implica negar que o sacrifício de Cristo seja atual, posto que eterno.

É também uma negação da Eucaristia porque na Eucaristia, Cristo se faz ainda presente entre nós em seu sacrifício: – “isto é meu corpo, e meu sangue.”

“Você deve receber diariamente aquele PÃO que vê no altar, que tendo sido santificado pela palavra de Deus, é o Corpo de Cristo. ‘O CÁLICE, ou melhor, que está naquele cálice, tendo sido santificado pela palavra de Deus, é o Sangue de Cristo.’ – (Os Sermões, 227, 21) ”

Não há repetição da crucificação, mas a sua extensão incruenta até nossos dias, para que seu efeito pudesse ser válido e eficaz, em todos os tempos, e em todas as gerações.

Na EUCARISTIA somos convidados a participar da cruz, e nessa participação nos tornamos oferta santa e pura diante de Deus pela Comunhão com o Cordeiro Martirizado:

Eu vos exorto, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, a OFERTARDES VOSSOS CORPOS em SACRIFÍCIO VIVO, SANTO E AGRADÁVEL a Deus: é esse o vosso culto racional. (Romanos 12.1)”

E como poderemos oferecer nossos corpos santos em sacrifício a Deus?

“O CÁLICE de bênção, que benzemos, não é a COMUNHÃO DO SANGUE DE CRISTO? E O PÃO que partimos, NÃO É A COMUNHÃO com o CORPO DE CRISTO? NÃO ENTRAM em COMUNHÃO com o ALTAR OS QUE COMEM AS VÍTIMAS? (I Cor. 10. 16, 17 e 18)

A Eucaristia é a adoração de Abel, de Moisés, de Sião elevada à perfeição esplêndida.

Cristo continua crucificado por todas as gerações, pois quis por amor, tornar-se sacrifício eterno.

Portanto, quando os heréticos, cismáticos e incrédulos negam a Eucaristia como sacramento vivo e eficaz do Corpo e Sangue do Cristo com a teoria de que o sacrifício seria coisa do passado, por ter sido desfeito pelo decurso do tempo ou ressurreição, pecam gravemente contra a Onipresença e Onipotência e o Corpo de Cristo, além de não crerem na eternidade da Divindade compartilhada no plano da salvação.

Por essa razão, consiste GRAVE HERESIA pregar que a Cruz está vazia, e não por outra razão ensinou o santo Apóstolo que devemos pregar Cristo CRUCIFICADO.

A Cruz está definitivamente, e eternamente marcada no Corpo Santíssimo do Cordeiro de Deus.

“nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; (I Coríntios 1, 23) ” 

_________________

1. De Consolatione, Livro V. Prosa 6. Boécio. Filósofo e Teólogo Católico, anos 477-524.

2. Suma Teologia Parte Ia Q 10. Deus Uno. A Eternidade. São Tomás de Aquino.

3. Jesus Cristo diz desse sacrifício COTIDIANO, na oração do PAI NOSSO: “O PÃO NOSSO DE CADA DIA (cotidiano), DAI NOS HOJE”. Não apenas o pão que alimenta nosso corpo e sacia nossa fome, mas o que alimenta nossa vida eterna e sacia nossa fome de Bondade, Justiça e Perfeição em Deus.

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