Fé e Razão

ACÍDIA: A AUSÊNCIA DE FELICIDADE EM PRATICAR O BEM.

anjo-triste

O que nos define é o que somos, e o que somos é testemunhado inequivocamente por nossas ações.

O caráter do ser humano é analisado naquilo que reside o seu prazer: se na virtude ou na malícia.

Aos olhos de Deus, o limpo o é, porque se mantém impoluto; e o sujo porque se enodoa.

Quem é injusto, FAÇA injustiça ainda: e quem está sujo, SUJE-SE ainda; e quem é justo, FAÇA justiça ainda; e quem é santo, SANTIFIQUE-SE ainda.” (Apocalipse 22, 11)

“O menino manifesta logo POR SEUS ATOS se seu proceder será puro e reto.” (Provérbios 20,10) 

“Pretendeis pedir-me conta do futuro? Dita-me um MODO DE AGIR.” (Isaías 45, 11)

Na virtude ou na malícia, temos um indivíduo bom ou mau aos olhos dos homens, e principalmente, aos olhos de Deus.

Avalia-se o Bem ou o mal, segundo o propósito dos nossos pensamentos, e a finalidade das nossas atitudes cotidianas.

Bom e virtuoso será o que se compraz nas obras das virtudes; sendo mau aquele que se compraz nas obras destrutivas. “(Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, art. 4. O Prazer e a medida do bem e do mal)”

A virtude da fé é uma disposição da vontade que nos ordena para o que é bom e construtivo, segundo os preceitos de Deus, nos quais encontramos a sua vontade suprema.

Mas é certo que o pecado de se omitir na prática do Bem, é tão grave quanto o pecado de praticar o mal.

Negar a prática do Bem equivale produzir o mal por omissão.

Nisto temos a ACÍDIA, que consiste no encontro de justificativas para fugir da caridade, e ainda na tristeza, desolação e desalento profundo que faz nascer a detestação ao ato de partilhar o Bem.

Acídia é o pecado contra a santificação do ser humano, o descaso na realização do Bem e da caridade, adoecendo a alma pelo egoísmo, estagnada numa felicidade incompleta por estar restrita apenas a nós mesmos, além de anular a alegria que se encontra na realização do Bem ao próximo:

Ensinou São João Damasceno:

A acídia é a tristeza acabrunhante que produz no espírito do homem tal depressão que este não tem vontade de fazer mais nada; as coisas que são ácidas, também são frias. Por isso, a acídia implica um certo desgosto pela ação boa. […] Portanto, sendo a acídia, como aqui se considera, uma tristeza, é duplamente má: em si mesma, e em seus efeitos. É por isso que a acídia é pecado, pois já se mostrou que o pecado o que é mau nos movimentos do apetite.” (AQUINO, p. 482, 2004).

E ainda as Escrituras:

“O coração perverso ficará acabrunhado de tristeza, e o pecador ajuntará pecado sobre pecado. (Eclesiástico 3, 29)”

“[…] pois a tristeza apressa a morte, tira o vigor, e o desgosto do coração faz inclinar a cabeça. (Eclesiástico 38, 19)” 

O ser humano foi criado por Deus para o Bem, do que se conclui que se opor as práticas bondosas equivale se opor à vontade Divina em nossas vidas.

O objetivo de se levar alguém a crer, é professar na prática a vontade de Deus realizada nele, e assim, em cada um de nós.

Não basta acreditar, pois o que caracteriza um fiel é a prática daquilo em que ele prediz com os lábios acreditar.

Ora, Deus medirá, pesará e julgará a fé de cada um, segundo os atos de caridade que dela emanaram.

Embora abstrata e invisível, a autentica fé em Cristo há de produzir efeitos visíveis, perceptíveis:

E os mortos foram julgados conforme o que estava escrito nesse livro, SEGUNDO AS SUAS OBRAS. Cada um foi julgado SEGUNDO AS SUAS OBRAS.”(Apocalipse 20,11-15)”

Porém, pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que RETRIBUIRÁ A CADA UM SEGUNDO AS SUAS OBRAS: A VIDA ETERNA AOS QUE, PERSEVERANDO EM FAZER O BEM, buscam a glória, a honra e a imortalidade; mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade e seguidores do mal. Tribulação e angústia sobrevirão a todo aquele que pratica o mal, primeiro ao judeu e depois ao grego” (Romanos 2. 5 à 9)

Fé sem caridade é apenas um conceito vazio, incapaz de nos preparar para Deus, pois essa preparação só ocorre no aperfeiçoamento das nossas ações, pelas quais nos tornamos a imitação de Cristo.

A finalidade de crer é nos levar ao máximo possível nesta vida, à consciência do Amor a Deus e ao próximo:

[…] aquele que NÃO AMA, NÃO CONHECE A DEUS, porque Deus é Amor.” (I São João 4, 8)

Amar a Deus e ao próximo, só se pode realizar por ato prático, não em teoria.

Por isso, disse-lhes o Cordeiro:

Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos, Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão, e não me visitastes. Também estes lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te socorremos? E ele responderá: Em verdade eu vos declaro: Todas as vezes que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, FOI A MIM QUE O DEIXASTES DE FAZER” (São Mateus 25,41-45)”

E ainda:

Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor. 2.Todo o ramo que não dá fruto em Mim, o Pai corta-o. Os ramos que dão fruto, poda-os para que dêem mais fruto ainda. 5.Eu sou a videira e vós os ramos. 6.Quem não fica unido a Mim será lançado fora como um ramo, e secará. Esses ramos são juntados, lançados ao fogo e queimados. A glória de meu Pai manifesta-se quando dais muitos frutos e vos tornais meus discípulos. 10.Se obedeceis aos meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 12.O meu mandamento é este: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” (São João 15)”

Ninguém consegue amar com os lábios ou por mera manifestação intelectual.

Só a caridade nos previne da prática do mal, como só a confissão nos remedia do mal já praticado.

Quem tem a caridade evita o pecado, porque a caridade é o querer o Bem a todos, incondicionalmente, e quem quer o Bem, não busca realizar o mal.

O pecado da ACÍDIA1 ou preguiça espiritual para praticar o Bem e realizar o Amor Caridoso, equivale a negar-se ao Amor de Deus compartilhado com o próximo, sendo pecado gravíssimo e direto contra o mandamento de Cristo: Amar a Deus e ao próximo.

Amar a Deus e ao próximo é também amar a Deus no próximo.

Há ingratidão contra o Amor, de todo aquele que se recusa partilhar com os outros, o Bem que recebeu de Deus, seja comida, bebida, o vestuário, a atenção, o afeto e o cuidado fraterno.

Igualmente, não se empenhar na iniciativa de amar ao próximo como a nós mesmos, inevitavelmente produzirá outros pecados graves, como o egoísmo e a heresia do fideísmo2, que conflita com a solidariedade beatífica que Deus tem para conosco, ao pondo de se sacrificar por toda humanidade.

Não por outra razão, dizem as Escrituras:

Aquele, pois, que SABE FAZER O BEM E NÃO O FAZCOMETE PECADO.” (São Tiago 4,17) 

[…] aquele servo que conheceu a vontade do seu senhor, e que não se preparou, NEM AGIU segundo a sua vontade, receberá muitos açoites; (Lc 12, 47) 

“Não tenhas PREGUIÇA DE VISITAR UM DOENTE, pois é assim que te firmarás na CARIDADE. (Eclesiástico 7, 39)”

Disse-lhes Jesus: Se você fosse cego, não teria pecado; mas agora, porque você diz: – Nós vemos, seu pecado permanece.” (São João 9, 41)

[…] porque seria melhor que não tivessem conhecido o Caminho da Justiça, para que, sabendo isto, se afastassem do santo mandamento que lhes foi dado.” (2 Pedro 2, 21) 

A inatividade para prática do Bem é um mal por si só, e que nos afasta de Deus que é puro Amor.

O ato de amar requer do ser humano a sua totalidade naquilo que lhe brota do espírito, é discernido pelo intelecto, aquiescido na vontade e realizado nas ações de bondade perfeita.

Não há outra maneira de crer senão aderindo aos seus ensinos Divinos, buscando incessantemente fazer sua soberana vontade para que nos tornemos partícipes Dele, num mesmo elemento sobrenatural chamado Corpo de Cristo:

[…] formamos um só Corpo em Cristo, e CADA UM DE NÓS É MEMBRO UM DO OUTRO. (Rm 4, 5)”

SOIS O CORPO DE CRISTO, E CADA UM de sua parte, É UM DOS SEUS MEMBROS. (I Cor 12, 27)”

Jesus é o Corpo Divino Uno, formado por membros:

Eu sou a videira; vós, os ramos.” (São João 15, 5)

A fé não deve habitar somente numa ideia, mas na realidade, na nossa realidade, pois do contrário, de que valeria a fé se não conseguisse reverter um fiel da prática da maldade?

Só a caridade nos mantém unidos ao Amor, e sem o Amor é impossível conhecer e viver Deus em nossas vidas.

É ela a prova visível e palpável da fé, na realização do Bem por Amor a Deus, amando ao próximo, porque Deus nos amou primeiro.

A fé não colide com a caridade, nem dela se divide.

CERTA É ESTA DOUTRINA, e quero que a ensines com constância e firmeza, PARA QUE OS QUE ABRAÇARAM A FÉ EM DEUS SE ESFORCEM POR SE APERFEIÇOAR A SI MESMOS, NA PRÁTICA DO BEM. Isto é bom e útil aos homens.” (Efésios 4, 8)

Caríssimo, FAZES OBRAS DE FÉ EM TUDO o que realizas para os teus irmãos.” (3 João 1,5)

Pela fé cooperamos passivamente3 para a nossa própria salvação:

Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo DEVEM COOPERAR para a SALVAÇÃO”. (Sabedoria 1,14)

Nas Escrituras, a palavra FÉ é redigida no grego koiné como pistiV (πίστις), e como fide no latim da vulgata, a primeira tradução dos Evangelhos gregos.

Nas fontes idiomáticas4 há consenso que o termo se traduz por adesão incondicional; confiança servil; obediência; fidelidade; lealdade; submissão completa e voluntária.

Não por outra razão, que além da caridade, a fé também está indivisivelmente unida à obediência:

E divulgava-se a palavra de Deus, de sorte que se multiplicava muito o número dos discípulos em Jerusalém e muitos sacerdotes OBEDECIAM À FÉ.” (São Lucas 17, 6)

O Catecismo5 a definiu como sendo a entrega do ser humano a Cristo de maneira plena e livre, buscando incessantemente fazer a vontade de Deus.

A FÉ PERFEITA para estabelecer a nossa comunhão com Deus, é aquela que move o ser humano à prática do Bem.

Quando indagado pelos fariseus, a respeito de como professar a fé em Deus, ensinou-os Jesus:

Perguntaram-lhe: Que faremos para praticas as OBRAS de DEUS? Respondeu-lhes Jesus: A Obra de Deus é esta: CREIAIS naquele que Ele enviou.” (São Mateus 6. 28 e 29)

Em Verdade nos digo: QUEM CRER em mim, fará também as Obras que eu faço […]; Se me amais, guardareis o meu mandamento” (São João 14, 12)

E o MEU MANDAMENTO É ESTE: Amai uns aos outros como Eu os amei. Não existe amor maior que dar a vida pelos amigos. Sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando. E o que vos mando é que vos AMEIS UNS AOS OUTROS. (João 15. 2 -17)

Caridade é o Amor de Deus que se realiza por meio do ser humano mediante a fé.

Sem caridade não há amor, sem amor não há obediência, e sem obediência impossível haver verdadeiramente fé, e por fim, sem fé é impossível agradar a Deus. (Hebreus 11,6)

As obras caritativas são o “linho santíssimo” no qual todos os santos são revestidos, por elevarem a fé a perfeição:

Foi-lhe dado revestir-se de linho puríssimo e resplandecente.”

(Apocalipse 19,8)

Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, SE NÃO TIVER CARIDADE (ágape), NÃO SOU NADA.” (1 Coríntios 13,2-3)

Assim também a fé: SE NÃO TIVER OBRAS, É MORTA em si mesma.” (São Tiago 2,17)

A fé OPERA pela CARIDADE.” (Gálatas 5,6)

Cornélio! Cornélio fixou nele os olhos e, possuído de temor, perguntou: Que há Senhor? O Anjo replicou: As TUAS ORAÇÕES e as TUAS ESMOLAS subiram à presença de DEUS como uma oferta de lembrança.”(Atos 10,1-4)

Deus é Amor; e o Amor deixou-se condenar sem culpa; padeceu sem ter cometido mal algum, e por sua morte nos permitiu vida.

O Amor assumiu nosso débito, e o saldou mesmo sem nada dever.

De Graça, e pela Graça, compartilhou conosco todo crédito obtido por meio do seu próprio sacrifício, para que produzíssemos OS FRUTOS DA FÉ que nos eximissem de toda culpa.

Onde encontramos a fé, lá deverá estar a caridade, como a “cara e a coroa” da mesma moeda, sendo virtudes Divinas incindíveis e complementares, infusas gratuitamente na humanidade:

De que aproveitará, irmãos, A ALGUÉM DIZER QUE TEM FÉ, SE NÃO TIVER OBRAS?

Acaso ESTA FÉ PODERÁ SALVÁ-LO? (São Tiago 2, 14)

Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras E EU TE MOSTRAREI A MINHA FÉ PELAS MINHAS OBRAS. (São Tiago 2, 18)

Queres ver, ó homem vão, como a fé sem obras é vã. Vês como A FÉ COOPERAVA COM AS SUAS OBRAS E ERA COMPLETADA POR ELAS. (São Tiago 2, 22)

Crer em Deus é ser submisso à sua vontade em nossas vidas, para que o atributo da santidade que Ele compartilha conosco nos aperfeiçoe dia após dia, para que possamos gradativamente permanecer unidos a Cristo, e consequentemente livres do pecado.

Caridade é o reflexo do próprio Cristo em nossas vidas, que a Ele nos vincula de modo pleno e perfeito.

Quanto maior a fé em Deus, maior os atos de Amor que por Ele seremos capazes de cometer.

A fé não pode ser abstrata, vez que essencialmente é prática.

Entender a fé apenas sob o ângulo ideológico e devocional, não se harmoniza com a verdade histórica do verdadeiro Evangelho de Cristo.

Santo Agostinho6 definiu a fé na junção de dois elementos: IDEIA E ATO, na predominância deste último.

A fé enquanto simples noção intelectual (fide qua) deverá se ordenar e harmonizar com o ato prático da fé (fide quae).

Nem a noção da fé é alguma coisa; nem a prática do Bem despida da noção de Deus como fim último a ser alcançado neste ato, é eficaz para nos salvar.

Cada um desse elementos, isoladamente, é incapaz de ligar o ser humano aos méritos de Cristo, mas unidos, a Ele nos vincula.

A ideia não produz obras, e sim a vontade manifestada por ações concretas.

A fé que não produz obras reais e aprazíveis a Deus é nula, assim como toda boa obra não movida pela GRAÇA e AMOR CRISTOCÊNTRICO se torna capricho, filantropia, desencargo de consciência, desejo de barganha, vaidade ou cumprimento vazio e compulsório da religiosidade.

Cristo nos orientou para que pudéssemos reconhecer e não nos enganarmos quanto à verdadeira fé.

A parábola da “figueira estéril” é a síntese da “fé estéril.”

6. Disse-lhes também esta comparação:

Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, INDO BUSCAR O FRUTO, NÃO O ACHOU. 7.Disse ao viticultor: – Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno? 8.Mas o viticultor respondeu: – Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe CAVAREI em redor e lhe DEITAREI ADUBO.

9.Talvez, DEPOIS DISTO DÊ FRUTOS. CASO CONTRÁRIO, CORTÁ-LA-ÁS. (São Marcos 13)”

O “homem” dono da vinha é o Deus Pai criador.

A “figueira da vinha” somos nós, a majestade de sua criação.

O “viticultor” é Cristo.

O dono da vinícola espera que toda figueira plantada dê os frutos bons para a qual fora criada (caridade).

Aquela que não conseguir terá de ser cortada (condenada) por ocupar inutilmente terreno fértil.

Mas a figueira não deu fruto, estando sujeita ao juízo da erradicação.

Mas o viticultor (Cristo) suplica (intermediação salvífica) junto ao dono da vinícola, para lhe permitir cavar e adubar a figueira para que possa produzir os frutos esperados, infundindo nela os elementos necessários a torná-la fértil.

O adubo representa o mérito (as virtuosidades) de Cristo, alcançados na cruz.

O que liga a figueira ao adubo é a “raiz” que simboliza a fé.

Se apesar de adubada, a figueira continuar estéril, é porque não detém raiz fértil (FÉ), devendo ser cortada.

O Amor de Deus é uma realidade latente, a artéria pulsante que vivifica e renova a nossa fé, para que essa, em sua esterilidade, não se torne instrumento de nossa própria condenação pela omissão voluntária na prática da bondade.

O que somos em nosso interior, há de refletir no nosso exterior.

Se nossos atos agridem, e colidem com nossas ações, é porque não há verdadeiramente a fé em nós.

Deus não admite que a prática aja contra a fé, imputando a prática do mal o pecado da infidelidade, que se assenta na perfídia leviana contra a fé que se pactou professar.

A fé faz nascer em nós a capacidade da caridade em sua vertente mais sublime que é na renúncia a nós mesmos, matando a velha natureza contaminada, para que dentro de nós floresça um novo ser banhado no sangue do sacrifício que o próprio Deus fez tomando nosso lugar.

Não há salvação aquele, cuja prática atenta contra o que seus lábios professam, sendo essa ação delituosa contra Deus agravada pela mentira e hipocrisia.

A fé autentica produz de modo irresistível o mover do ser humano na realização dos atos de compaixão e benevolência para com o próximo.

Caridade não visa a barganha com Deus, nem a vanglória humana porque não provém de nós, mas do Amor de Jesus plantado dentro de nós através da semente do Batismo, a qual devemos regar, cuidar, adubar e podar para que a raiz nunca morre, e a árvore nunca se torne estéril.

Somos levados a conhecer Deus somente nos atos de Amor.

Deus é o agente eficaz da Caridade, e de todo Bem que em seu Nome praticamos.

E só a prática da Caridade é capaz de nos afasta da malícia, e pela prática efetiva da caridade, poderemos encontrar a felicidade plena que está na prática dos atos de bondade suprema. Eis então, a fórmula para não perder a felicidade em praticar o Bem: SEMPRE PRATICAR O BEM, e nunca deixar que que a fé morra pela ausência da prática da caridade.

Só se aprende a amar, amando. 

“Não somos, absolutamente, de perder o ânimo para nossa ruína; somos de MANTER A FÉ, para nossa salvação!” (Hebreus 10, 39)

1 Catecismo Par. 68,1 e 68.2.

2 Doutrina de matriz não apostólica (protestante) que afirma que para salvação é necessária apenas a fé, enquanto noção intelectual da aceitação da salvação vinda de Cristo, independente da história de vida construída no pecado ou na virtude da caridade.

3 Diferente da heresia do pelagianismo, que sustentam haver participação humana ativa e preponderante para completar o plano da salvação universal da humanidade.

4 http://www.priberam.pt/dlpo/f%C3%A9

5 Parágrafos 185 à197

6 Agostinho, De Trinitate XIII,2,5)

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