Cristologia

O QUE SIGNIFICOU A ESCOLHA DE BARRABÁS?

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Desde o início da criação, Deus nos fez para a imortalidade:

“Ora, Deus criou o homem PARA A IMORTALIDADE, e o fez à imagem de sua própria natureza (Sabedoria 2.23). 

Logo, a perda da imortalidade foi opção livre e consciente de todo gênero humano,representado por nossos primeiros pais. 

Apesar disto, Deus que é Amor,1 e Criador de todas as coisas não desistiu de restaurar a sua criatura decaída, e em sua infatigável Misericórdia, visitou-nos em nossas enfermidades e limitações2 quando por meio do Filho se fez homem, para que o homem então pudesse ser feito imortal, naquilo que Deus sempre esperou de nós.3 

O seu sacrifício foi nossa cura, e por suas chagas mortais podemos agora alcançar a vida eterna, outrora perdida no Éden.4 Cristo veio TRAZER LUZ, num ambiente até então sob a reinação das trevas, porque “DAS TREVAS VOS CHAMOU À SUA LUZ maravilhosa (I São Pedro 2, 9).

E então, por nos AMAR TANTO, Ele se humilhou, pois sendo Deus Criador,5revestiu-se da imagem de servo e criatura, e fez-se obediente até à morte.6 

Todas as nossas iniquidades foram as suas humilhações, e todas as suas chagas e suplícios a nossa cura. 

Ele nos reuniu, de todos os povos, lugares, classes e etnias, seja homem ou mulher, criança ou idoso, e ressuscitando em seu Corpo Místico, nos deu de presente sua HUMANIDADE GLORIFICADA, perdoando nossos pecados para que pudéssemos ressuscitar em sua Humanidade, ensinando-nos ainda que como membros de seu Corpo Santo, também somos membros uns dos outros.7 

Assim, “de UM SÓ HOMEM MORTO, NASCEU UMA POSTERIDADE tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como os grãos de areia da praia do mar (Hebreus 11, 12).

Mas o renascimento de um indivíduo numa nova natureza, implica na morte da natureza velha que se deixou corromper pelo pecado da desobediência.8

O Criador de todas as coisas, em seu incomparável e inegociável AMOR, desejou visitar- nos em nossas doenças, e em nossa dissipação. 

Ora, se Deus AMA PARA SEMPRE suas criaturas, então é claro que a imortalidade das criaturas, por essência e excelência, não desapareceu com a “morte” do corpo.

Ele viu o velho homem precipitar-se no abismo da infidelidade, e aí encontrar a morte. 

Mas numa súplica de Amor por parte do Deus Filho, elevado à essência da Bondade do Pai, Aquele tomou sobre si esta nossa PENA para realizar aquilo que nenhum de nós seria capaz de realizar sozinho ou coletivamente, que é dar satisfação à Justiça Divina por nossa desobediência, infidelidade e falta de amor a Deus.

A velha natureza adâmica definitivamente condenada pelo pecado, jazia na cruz sem pecado para saldar a dívida de Amor que possuía para com Deus, e assim ressurgir Plena de Divindade e Perfeição para elevar à santidade e vida eterna toda humanidade que na Nova Humanidade obtenha Comunhão.

Só quem criou é que poderia corrigir as deficiências da criatura que se corrompeu.Da natureza antiga, uma nova natureza foi gerada; e do homem antigo, o Adão, um novo homem, novo Adão ressurgiu: “Assim como EM ADÃO TODOS MORREM, assim EM CRISTO TODOS REVIVERÃO. (I Coríntios 15, 22)

Vós vos DESPISTES DO HOMEM VELHO com os SEUS VÍCIOS” (Colossenses 3, 9) “Ele é que anunciamos, admoestando todos os homens e instruindo-os em toda a sabedoria, para TORNAR TODO HOMEM PERFEITO EM CRISTO. (Colossenses 1, 28)

a circuncisão de Cristo, consiste no despojamento do nosso ser carnal.” (Colossenses 2, 11)

Mas se Cristo era o Novo Homem na Nova Natureza incorrupta, tinha por antagonista Barrabás, o ladrão, o homicida, o homem representado em sua antiga natureza corrompida.

Foi nesta arena que as escolhas foram feitas:

Ora, havia naquela ocasião um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. (São Mateus 27, 16) Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: BARRABÁS OU JESUS, que se chama Cristo? (São Mateus 27, 17) QUAL DOS DOIS QUEREIS QUE EU VOS SOLTE? Responderam: Barrabás! (São Mateus 27, 21)”

E então, libertou-se Barrabás, e “mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado” (São Mateus 27, 26).

Naquele momento, manifestou-se o apego que todo ser humano tinha, e ainda tem por sua velha natureza corroída pela iniquidade.

O amor do homem pelo próprio homem é inimigo do Amor de Deus. Por isso, foi dito de Barrabás: liberte-o! E de Cristo: crucifique-o!

Liberte-o! É o grito para a liberdade do pecado. O grito pelo senhorio do homem sobre si mesmo, colocando suas vontades, desejos e prazeres acima da vontade de Deus .

Crucifica-o! É o grito de revolta contra o Amor, a Fidelidade, a Pureza, a Santidade que Deus tem para nos dar; e contra a Misericórdia que Deus tem para com toda raça humana.

“Viva o velho homem, deixem-no viver, e abaixo o novo homem, matem-no.”

O amor do ser humano por ele próprio é um amor ladrão e homicida, tal como Barrabás. 

Por essa razão, tendemos a escolher Barrabás, porque como ensinou o salmista: “Eis que nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe. – 51,3)

Nossa arcaica natureza corrompida, clama e sempre clamará fortemente pelo “direito” de pecar, enquanto quisermos nos manter no velho corpo, nesse velho manto.

Mas porque Cristo foi crucificado primeiro, podemos hoje crucificar Barrabás e libertar Cristo em nossas vidas, pois como disse o Apóstolo: “Qual o homem terreno, os homens terrenos; qual o Homem Celestial, os homens celestiais. (I Coríntios 15, 49)”

Baseada nos escritos de Santo Antão do Deserto (251 DC)

 

1.https://magisteriotradicaoescrituras.com/2018/09/12/se-deus-e-amor-i-jo-4-8-o-amor-e-deus/

2.https://magisteriotradicaoescrituras.com/2018/08/14/cristo-assumiu-todas-as-fraquezas-do-corpo-e-da-alma-humana/

3. Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. (Gênesis 1, 27)

4. porque és pó, e pó te hás de tornar.” (Gênesis 3, 19)

5. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. (São João 1.3)

6. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. (Filipenses 2, 8)

7. Nós, embora muitos, FORMAMOS UM SÓ CORPO EM CRISTO, E CADA UM DE NÓS É MEMBRO UM DO OUTRO.” (Rm 4, 5)”“Eu sou a videira; vós, os ramos. QUEM PERMANECER EM MIM E EU NELE, DÁ MUITO FRUTO PORQUE SEM MIM NADA PODEIS FAZER.  (S. João 15, 5) “todos fomos impregnados do mesmo Espírito. (I Cor 12, 13)” — “porque como o Corpo é um todo tendo muitos membros. (12, 12)

8.a circuncisão de Cristo, que consiste no despojamento do nosso ser carnal. (Colossenses 2, 11)

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