Imortalidade da Alma

DA IMORTALIDADE DA ALMA

“[...] muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, outros para vergonha e desprezo eterno." (Daniel 12, 2)

 

  1. A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM (HOMINIS UNO) E DEMAIS SERES VIVENTES.

O pecado que nos condena só é perdoado por Deus, e, portanto, só deixa de existir pela misericórdia Divina. Logo, todo aquele que morre sem o perdão, levando consigo seu pecado sem possibilidade de desfazê-lo, ficará sujeito eternamente a justiça Divina; e de igual modo, aquele que morre em comunhão com Cristo, levará eternamente a glória da remissão dos pecados, outrora cometidos.

Eis o dogma infalível da imortalidade da alma, que é a doutrina apostólica, na qual a alma humana mantém-se ativa e consciente1 após a morte da carne, para viver eternamente no céu, se absolvida dos pecados; ou no inferno, se condenada no juízo final, após a ressurreição do corpo.

Conforme Santo Agostinho: 

“[…] o corpo se une2 a alma para formar e constituir o homem completo e total.” (De Civita Dei X, 29, 2, ano 350 DC)

O ser humano, como todos os seres vivos, é substância e subsistência. 

O corpo é a substância visível e material3, sendo a subsistência ou alma, a substância imaterial 4 , a força animadora invisível que ativa o corpo.

Alma ou vida é assim, o princípio animador de todo corpo animal,5 vegetal (animus) e também de todo corpo humano (anima), criado a imagem de Deus. Conclui-se, que tanto corpo, quanto alma (vida), compõem a estrutura do ser vivo.

A alma, por sí só, não é elemento um espiritual, mas uma força anímica que faz um corpo vívido, tornando vivente todo ser. É produzida com o corpo, sendo uma operação conjunta entre Deus e a espécie, pois dos genitores vem os corpos (crescei e multiplicai. Gn 9, 7); e de Deus a alma (faço morrer, e faço viver. Dt 32, 39).

“O Senhor é o que TIRA A VIDA e a DÁ” (I Samuel 2, 6)

“Eu sou o único, FAÇO MORRER6 e FAÇO VIVER” (Deuteronômio 32, 39)

Na alma encontramos a verdadeira essência humana, nas virtudes e vícios atribuídos em cada personalidade, e no corpo, temos a operação que é o meio pelo qual essas virtudes e vícios se realizam.7

O ser humano é num todo corpo e alma. 

Ora, o que não pode ser criado pelo homem, por ele também não pode ser extinto. Apenas o Criador pode constituir e extinguir a alma de qualquer ser vivente: — “Não temais os que matam o corpo,8 mas não têm poder para matar a alma. Temei antes, aquele que PODE DESTRUIR9 no inferno tanto a alma como o corpo.” (São Mateus 10, 28) 

Mas se é certo que Deus pode matar, também pode fazê-la imortal para glória ou para justiça.  Assim é, que em relação a condenação dos ímprobos ao inferno, Jesus não usa a palavra específica “matar”, mas “destruir”.

Destruição,  por ser um termo mais amplo que matar, implica noutras maneira de extinção que não, necessariamente, o desaparecimento do ser, posto que de dois modos se pode destruir: 

Primeiro:  Na eliminação total e universal, causando-lhe óbito pelo desaparecimento completo; 

Segundo: Na ruína, tirando-lhe o fôlego vital, tornando-o inanimado e inservível para interagir,10 embora  ainda possa existir em forma visível.

E na ruína eterna, deliberou Deus a punição das almas de todos os condenados.

 

2.  A ALMA DO HOMEM, DOS SERES BRUTOS E O ESPÍRITO.

Mas se é a alma que opera através do corpo,11 o que seria o espírito invisível que habita no homem?

Como ensinou o Apóstolo: — “TODO O VOSSO SER, ESPÍRITO (pneuma), ALMA (psuchē) E CORPO (sōma), seja conservado irrepreensível. ” (I Tessalonicenses 5, 23).

Ora, existe notável diferença entre a alma humana e dos demais seres, posto que os vegetais e os animais, possuem apenas uma alma sensível e instintiva, gerada em sua própria matéria corporal: 

“Nem a planta é alguma coisa, nem quem rega, POIS DEUS QUE DÁ O CRESCIMENTO. ”  (I Corintios 3, 7)

Leciona Santo Tomás: 

“[…] dizer que o homem e os outros animais têm o princípio da geração semelhante é verdade quanto ao corpo, pois todos foram feitos da terra. Não quanto à alma, pois a alma dos brutos é produzida por uma QUALIDADE CORPÓREA. A Escritura diz dos animais: PRODUZA A TERRA ANIMAIS VIVENTES. Mas quanto ao homem diz: ― INSPIROU NO SEU ROSTO UM ASSOPRO DE VIDA. Por onde, conclui Salomão, que ao pó se retorne a terra de onde era, e o Espírito volte para Deus que o deu. A origem da vida é semelhante quanto ao corpo (Ecl 3, 19), não quanto a alma, pois o homem intelige e os brutos não. Semelhante lhes é a morte do corpo, não da alma. ” (Suma Teológica, Q 75, art. 6° Tratado sobre o Homem, ano 1.246)

A distinção entre a alma bruta e humana, é o Espírito, soprado nesta, tornando o ser em que ela habita, partícipe de todas as ciências e virtudes Divinas, como caridade, justiça, perdão, retidão moral e o amor, dentre outras.

Discerne-se, portanto, que a alma humana deixou de ser parte da matéria corporal, para se tornar elemento espiritual, porque o Espírito de Deus passou a habitar12 nela, dando-lhe a grandeza que faz o ser humano imagem e semelhança do Filho encarnado. Essas virtudes, por serem a extensão do próprio Espírito de Deus, não pertencem ao corpo, nem a alma.

Enquanto a alma humana tornou-se elemento espiritual, nos animais e vegetais, continuou ainda, sendo apenas a vida corporal, que se encerra com a morte física.  Assim, não são três elementos na formação do homem, pois o Espírito não lhe pertence, sendo prolongação do Espírito Divino, moldando a alma humana, e depositando nela (em potência), todas faculdades nobres13 que lhes permitirá interagir (em ato) com Deus. 

Como disse o sábio: ― “[…] e o espírito volte a Deus” (Eclesiastes 12, 7)

Deus soprou, retirou de dentro de si, e despejou no interior do ser humano o seu próprio Espírito Divino, criando a imagem e semelhança Dele na alma adâmica. 

Na morte física, as almas dos justos e ímprobos são levadas até Deus para seu destino final, por estarem ligadas, definitivamente, ao Espirito Divino que nela fez domicílio, sendo a capacidade de armazenar e abrigar esse Espírito é o que as imortaliza, pois o imortal reside naquilo que ele imortaliza: 

“A Verdade (Espírito Divino) não perece de modo algum; e não pode estar nas coisas que perecem; por isso a alma humana é imortal. (Solilóquios I, 15, 29 e II 2, 22 e 13, 24, ano 360. Santo Agostinho).

Já as almas das feras, ligadas apenas aos instintos corpóreos, morrem com a morte do corpo.

O Espírito é o fragmento de Deus no ser humano, inserido nas almas daqueles criados à sua imagem, pois o primeiro da nossa espécie, concebeu-se assim: 

“[…] formando o homem do barro da terra, e INSPIROU-LHE NAS NARINAS UM SOPRO DE VIDA. ” (Gênesis 2) 

“[…] aquele que o formou, lhe INSPIROU UMA ALMA ATIVA E LHE INSUFLOU O ESPÍRITO VITAL. (Sabedoria 15,11). 

Mas dos demais seres, disse Deus: — “produza da terra os seres vivos, segundo a sua espécie. ” (Gênesis 1, 24)

Todas as operações da alma animal não lhes são ordenadas pela razão, nem pela moral, mas somente pelo instinto natural. 

Findando-lhes o corpo, finda-lhes a alma, por não haver mais em que operar, e diversamente da alma natural dos animais, a alma espiritual do homem permanecerá viva na morte corporal, pois sua origem vital não está mais na matéria deteriorável, e sim no Espírito eterno.

Ensinou Tácio,14 o assírio: 

“[…] gregos, a alma não é imortal por si mesma, mas mortal; ela TORNOU-SE CAPAZ DE NÃO MORRER […] Ela morre15 com o corpo se não conhece a Verdade; ressuscita novamente com o corpo na consumação do tempo, para receber COMO CASTIGO, A MORTE NA IMORTALIDADE, […] “por outro lado, não morre, por mais que se dissolva com o corpo, se tem conhecimento16 de Deus.”  (Discurso Contra os Gregos, Cp XIII, anos 120-180 DC)

Diz a Escritura: — “a imortalidade se encontra na Aliança com a Sabedoria; (Sabedoria 8.17)

E a Sabedoria que imortaliza a alma, por fazê-la sua imagem, é uma figura do próprio Deus:

“A Sabedoria é um Espírito que ama os homens, mas não deixará sem castigo o blasfemador pelo crime de seus lábios.” (Sabedoria 1.6)

 

3.  NA ALMA ESPIRITUAL ESTÁ A CIÊNCIA INFUSA.

Pela ciência infusa, pôde o homem ter percepção17 sobre Deus, as coisas de Deus e a sua própria redenção. Essa ciência habita exclusivamente na alma, vinda do Espírito Divino; e o faz não só conhecedor, mas partícipe da Lei Eterna, retornando para Deus junto com a alma, por ocasião da morte do corpo, para que o juiz justo lhe retribua com a ressurreição para a vida ou perdição eterna:18 

“[…] pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, QUE RETRIBUIRÁ a cada um SEGUNDO AS SUAS OBRAS 19 (Romanos 2.5,6)”

Não por outra razão, testemunham as Escrituras, que os condenados no juízo celestial são tidos por mortos, não porque desaparecem, mas porque eternamente ficarão impedidos de terem comunhão, diálogo e comunicação com Deus, e consequentemente, com a vida, com o amor e a felicidade: 

“CONHEÇO AS TUAS OBRAS: TENS REPUTAÇÃO DE VIVO, MAS ESTÁS MORTO. Sê vigilante, e confirma os que morrerão, porque não achei tuas obras perfeitas diante do Meu Deus” (Apocalipse 3,1 e 2)

Os ímpios se sujeitarão ao perecimento eterno, por terem se excluído voluntariamente da graça e da misericórdia redentora de Deus: 

“[…] vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade;20 mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade e seguidores do mal. TRIBULAÇÃO e ANGÚSTIA sobrevirão a todo aquele que PRATICA O MAL.” (Romanos 2.7, 8 e 9) 

“Assim é aquele que o Senhor repele, que carrega o castigo de seu pecado; é como um eunuco ao abraçar uma virgem. ” (Eclesiástico 30. 20 e 21)

Ao ser humano só é dado acessar Deus, e com Ele se comunicar por intermédio do próprio Deus.  E isso só é possível, porque lhe fora dada uma alma espiritual, um espelho que reflete a imagem do próprio Deus que reside nele.

Enfatiza Agostinho: 

“Deus fez o homem a sua IMAGEM E SEMELHANÇA, efetivamente CRIOU NELE UMA ALMA APTA PELA INTELIGÊNCIA E PELA RAZÃO, a elevar-se acima de todos os animais. Tendo formado o homem do pó, insuflou nele essa alma.” (Civitae Dei, 22, 23)

E prossegue: 

“A alma (humana) não está sujeita a transformação, não sendo de nenhum modo capaz de mudar, sendo imortal. ” (A Imortalidade da Alma, cap. II ano 387 DC)

O Espírito Divino comunicado em nossa alma, é o que nos eleva à comunhão corpórea plena com o Verbo Encarnado.

 

4.  DA DISTINÇÃO ENTRE IMORTALIDADE E ETERNIDADE.

A imortalidade de Deus difere da imortalidade da alma humana, pois Nele é consequência da sua eternidade.

Já a alma humana, tida por imortal, não por ser eterna (ad perpetuam), como ensinavam os platônicos, mas porque quis o criador imortalizá-la desde a sua criação, dando-lhe participar do seu Espírito imortalizador. E imortalizar não só a alma, mas também o corpo humano que a abriga: 

“Deus criou o homem PARA A IMORTALIDADE, e o fez à sua imagem. (Sabedoria 2, 23) ”

O veredicto sentencial contra a humanidade, por causa do pecado, é a morte do corpo, não da alma: 

“[…] voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar. ” (Gênesis 3, 19)

Ensinou Meliton21 de Sardes:

“Toda carne, pois, caiu sob o pecado, e todo corpo sob a morte. Toda alma foi arrancada de sua morada de carne, e o que foi tirado da terra se dissolveu na terra. Estava destruída a bela harmonia, desfeito o belo corpo.” (Mistérios Pascoais, Frag. ano 190 D.C.)

 

5.  O SER HUMANO NÃO É APENAS ALMA.

Na Encarnação do Verbo, Deus se fez nossa imagem pelo corpo; e na alma nos assemelhamos a Ele por causa do seu Espírito, que nos torna sua imagem semelhante.

No núcleo da alma humana, o criador deposita as virtudes superiores que compartilha conosco, como a razão, a fé e o amor, as quais nos permitirão conhecer, unir e interagir com o sagrado: 

“Porque conhecer-vos é a perfeita justiça, e CONHECER VOSSO PODER É A RAIZ DA IMORTALIDADE. ” (Sabedoria 15, 3)

A alma humana, mediante o Espírito Divino, domina o corpo e os instintivos, pois é sempre o superior que rege o inferior. Nisto também nos assemelhamos ao Verbo Encarnado, porque Nele há a regência superior em todas as coisas, regência que nos participa na supremacia e controle22 sobre nós mesmos e os demais seres:

Diz Santo Tomás: 

“Inteligindo os máximos inteligíveis, mais facilmente poderá inteligir os menores[…]” (Suma Teológica, Q 75, art. 3º)

E Santo Agostinho: 

“Julgas que a paixão seja mais poderosa que a razão, pela qual por Lei Eterna nos foi dado o domínio sobre todas as paixões? Não creio de modo algum, pois caso fosse, seria a negação da ordem perfeita de Deus em que o maior domine sobre o menor. Então, haverás em hesitar em colocar as Virtudes acima dos vícios? ” (O Livre Arbítrio, p. 25)

Depreende-se disto, que o ser humano não é só alma, pois esta alma precisa encarnar num corpo para formar o homem completo (homini uno): 

“Pode-se entender que uma alma seja um homem? Isso se poderia sustentar se se estabelecesse que todas as operações da alma sensitiva fosse só dela, sem corpo. NÃO SENDO OS SENTIMENTOS, OPERAÇÕES SÓ DA ALMA, MAS CONJUNTA (corpo e alma), é manifesto que o homem não é só a alma, mas algo composto de alma e corpo. ” (Suma Teológica, Q 75, art. 4, Tratado sobre o Homem)

Como disse Agostinho:

“O corpo É O MENSAGEIRO da alma. ” (De Ord. II e XI, 32)

Alma não abrange matéria e forma visível, que são elementos do corpo físico. O corpo então, torna-se a ferramenta biológica na qual a natureza imaterial age, sendo certo que toda alma necessita de um corpo para operar, salvo permissão Divina em contrário.23

Espírito e alma no homem compõem um mesmo elemento imaterial, e juntos constituem-se na “alma espiritual” que encarna e habita no corpo.

O ser humano é formado na unidade do corpo e alma. 

O Espírito Divino, agindo na alma, lhe empresta imagem e semelhança, sendo que ao unir-se ao Espírito, a alma humana se imortaliza, pois, o Espirito Divino, o folego que sai de Deus para o homem, imortaliza  tudo  em que habita. Só após o fôlego de vida interagir na matéria corporal é que Adão se tornou alma vivente, um ser completo, vivo, cuja alma consegue operar e realizar atos concretos através da matéria corporal. 

Não um corpo apenas, senão seria um CADÁVER; nem apenas alma, senão seria um FANTASMA.

A alma é um dos elementos do ser, e o que é elementar não pode ser a completude,  salvo se que desconsiderássemos a matéria como parte do ser humano, o que não se permite dada a importância da ressurreição da carne. 

 

6. NO INFERNO, A JUSTIÇA SUBSTITUIRÁ A IMAGEM DE DEUS NO CONDENADO.

A exclusão da graça e do perdão misericordioso, condena a alma espiritual a suplícios em razão do desligamento da imagem de Deus no homem.

A privação de Deus nos perdidos gerará neles penas de dores e danos.24

O Espírito Divino, não podendo sucumbir no inferno junto com o condenado, dele se retirará, sendo substituído pela Justiça Divina.25 

A morte sobrenatural26 não vem da destruição da alma, mas desta perder a imagem e semelhança que detém do Criador.

A Igreja sempre entendeu a imortalidade da alma participada na imortalidade de Deus. 

A alma espiritual não retornará a Deus para aguardar a ressurreição do juízo final, como energia abstrata, impessoal e irreconhecível, mas trazendo seu caráter, personalidade e todo histórico de ações a serem apresentadas no Tribunal Celestial, pois o juízo de Deus não separará o ser humano de sua história de vida. 

A morte condenatória é perdição, a exclusão do reino de Deus:

“[…] ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, DE MEDO DE VIR EU MESMO A SER EXCLUÍDO (ἀδόκιμος)27 depois de eu ter pregado aos outros. (I Corintios 9, 27) ” 

“[…] tenhamos cuidado em que ninguém de nós corra O RISCO DE SER EXCLUÍDO (ἀδόκιμος). (Hebreus 4,1) ” 

“Naquele dia, o meu furor se acenderá contra esse povo: Eu o ABANDONAREI E OCULTAR-LHE-EI A MINHA FACE, e ele será devorado, uma multidão de males e angústias virá sobre ele, o que lhe fará dizer: é certamente porque meu Deus não está mais comigo que me vêm todos estes males, ” (Deuteronômio 31, 17)

 

7.  A PERPETUAÇÃO DO PECADO IMPENITENTE E SUA PENA.

A destruição do condenado, implicaria numa justiça imperfeita, pois se o pecado não perdoado permanece para sempre em seus efeitos, a pena há de ser também permanente.

Noutro compasso, ensina a Igreja que a natureza de todas as almas é mortal, sendo que só a alma humana, em razão do juízo divino, fora imortalidade para receber nela a imagem de Deus, pela qual, com ele, todo ser de origem adâmica poderá interagir eternamente:

Ensinou São Justino:

“Portanto, esses filósofos nada sabem sobre essas questões, pois não são capazes de dizer sequer o que é a alma.
— Parece que não sabem.
— Tampouco, se pode dizer que ela seja imortal, porque, se é imortal, é claro que deva ser incriada.
Eu lhe disse: — De fato alguns, chamados platônicos, a consideram incriada e imortal.
Ele perguntou: — Tu também consideras o mundo incriado? Alguns dizem isso, mas eu não tenho a mesma opinião. Fazes muito bem. Com efeito, por qual motivo um corpo tão sólido, resistente, composto e variável e que a cada dia morre e nasce, procederia de algum princípio? Todavia, se o mundo é criado, forçosamente as almas também o serão e haverá um
momento em que elas não existirão. De fato, foram feitas por causa dos homens e dos outros seres vivos, ainda que digas que elas foram criadas completamente separadas e não junto com seus próprios corpos.
— Parece que é exatamente assim.
Então são imortais.
— Não, uma vez que o mundo se manifesta como criado.
3— Contudo, eu não afirmo que todas as almas morram. Isso seria uma verdadeira sorte para os maus. Digo, então, que as almas dos justos permanecem num lugar melhor e as injustas e más ficam em outro lugar, esperando o tempo do julgamento. Desse modo, as que se manifestaram dignas de Deus não morrem; as outras são castigadas enquanto Deus quiser que existam e sejam castigadas. ” (Diálogo com Trifão28 Capítulo 5. 1 até 3, p. 82 e 83, datação do manuscrito, 150 DC)

E continua:

[…] cada um caminha para o castigo ou salvação eterna, conforme o mérito de suas ações. (I Apologia, 12.2. p. 25)

São Justino, destarte, pregava conforme a sacrossanta Tradição recebida dos  apóstolos, e existência do inferno, como local onde os condenados e réprobos sofreriam os castigos perpétuos, decorrentes da vida que levaram sem fé e obediência a Deus:

[…] Deve-se saber que o inferno é o lugar onde serão castigados os que tiverem vivido iniquamente e não acreditaram que acontecerão essas coias ensinadas por Deus, através de Cristo.” (I Apologia, 19.8. p. 25)

“Nós afirmamos que isso acontecerá, mas através de Cristo, e que o castigo que receberão em seus corpos unidos às suas almas será eterno, e não só por um período de mil anos, como ele disse. Se alguém diz que isso é incrível ou impossível, nós é que fomos enganados e não outro, até que não sejamos acusados de ter cometido alguma injustiça em nossas ações. (I Apologia, 8.4. p. 23)

Sobre a mortalidade da alma por natureza, como ainda está nos seres brutos e plantas, cuja alma não habita o espírito soprado por Deus, ensina o santo:

“Ele me perguntou:
— Qual é a nossa semelhança com Deus? Será que a alma é divina e imortal, uma partícula daquela soberana inteligência, e como aquela vê a Deus, também é possível para a nossa compreender a divindade e gozar a felicidade  que dela provém?
Eu respondi: — Sem dúvida nenhuma.

Então, segundo o teu raciocínio, também os animais verão a Deus.
Eu respondi: — Não. Porque o corpo deles, segundo a sua natureza, os impede. Dize-me apenas uma coisa: a alma vê a Deus enquanto está no corpo ou quando está separada dele?
Eu respondi: — É possível para ela, mesmo estando na forma humana, chegar a isso por meio da inteligência. Contudo, desligada do corpo e tornada ela mesma, é aí então que ela alcança tudo aquilo que almejou durante todo o tempo. (Diálogo com Trifão São Justino, mártir, Cap. 4. 1 à 4. p. 81 )

O pecado é ofensa contra a consciência, o amor e as leis eternas de Deus, o qual decorreu do apego perverso à desordem natural, que põe a vontade humana desalinhada da vontade suprema. É um atentado contra Deus, ainda que obrado contra o próximo: 

“PEQUEI CONTRA TI SOMENTE, PRATIQUEI O QUE ERA MAU AOS SEUS OLHOS. ” (Salmo 51, 6)

Instantâneo na conduta, mas INCESSANTE E IMORTAL EM SEUS EFEITOS.29 

Ultraje que sem a Graça, priva o indivíduo da remissão.

O pecado é finito e infinito. Finito: — na ação humana que se realiza no tempo, e não raras vezes se concebe em instantes;  Infinito: — na intensidade e efeito, pois o atentado a Deus, se não for perdoado, sempre existirá.

Os pecados só são apagados por Deus no arrependimento e conversão: — “Sempre SOU EU QUEM DEVE APAGAR TUAS FALTAS, e não mais me LEMBRAREI30 DE TEUS PECADOS. (Isaías 43, 25)”  Logo, o castigo será incessante, porque o pecador estará preso por toda eternidade aos seus delitos: — “DIANTE DE MIM ESTÁ SEMPRE O MEU PECADO. (Salmo 50, 5)” — “A JUSTIÇA DE DEUS É IMORTAL. (Sabedoria 1, 9) ” — “O HOMEM SERÁ PRESO POR SUAS PRÓPRIAS FALTAS, E LIGADO COM AS CADEIAS DE SEU PECADO.” (Provérbios 5, 22) ”

A Justiça Divina seria mera vingança, se houvesse a destruição do pecador, deixando intactos e permanentes os efeitos da sua conduta, e insatisfeita a cólera do ofendido.

Justiçar é retribuir o que é proporcional.  Caso o pecado, e todos os seus efeitos extinguissem naturalmente pelo tempo, o SACRIFÍCIO DE CRISTO TERIA SIDO INÚTIL:

“Mas os céus e a terra que agora existem são guardados e reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos ímpios. (II Pedro 3, 7);

“[…] eles sofrerão como castigo a PERDIÇÃO ETERNA, LONGE DA FACE DO SENHOR, e da sua suprema glória. ” (II Tessalonissenses 1, 9)

“Sobre os ímpios, ele fará cair uma chuva de fogo e de enxofre; um vento abrasador de procela será o seu quinhão. (Salmo 10, 6) ” 

“[…] SERÁ ATORMENTADO PELO FOGO E ENXOFRE diante dos seus santos anjos e do Cordeiro; (Apocalipse 14, 10) ” 

“Ali será PRANTO E RANGER DE DENTES, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, enquanto que vós estareis sendo lançados fora” (São Lucas 13,28).

“Porém, os covardes, os incrédulos, os abomináveis, os assassinos, os impuros, os feiticeiros, os idólatras e todos os embusteiros terão a sua parte no lago que arde com fogo e enxofre, QUE É A SEGUNDA MORTE.” (Apocalipse 21, 8)

“E o diabo, seu sedutor, foi atirado no lago de fogo e enxofre, onde estão também a besta e o falso profeta; e serão atormentados dia e noite PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS.” (Apoalipse 20,10)

“E estes irão para o CASTIGO ETERNO, e os justos, para a vida eterna. ” (São Mateus 25. 46)

A morte corporal do ímpio, consumará neste os efeitos de uma malícia infinita, por conta dos pecados cometidos, e não perdoados em vida.

Ensina Monsenhor Gastón de Ségur: 

“A santidade infinita de Deus não deve repelir eternamente um ser que jaez no estado eterno de pecado? Ora, tal é o réprobo no inferno. ” […] “Escolheste loucamente a morte e o mal; então estareis permanentemente na morte e no mal que livremente escolheste; […] O MAL E ELE SÃO INSEPARÁVEIS. “Pergunto-vos: não será rigorosamente justo que se aplique um castigo imutável para uma perversidade imutável? No inferno, os condenados já não tem tempo, nem a Graça de se arrepender, e não podem ser perdoados, e por isso, devem necessariamente sofrer um castigo imutável e eterno. ” (O Inferno? Livraria Catholica Portuense, p. 57, ano 1.905)

O combustível que nutre o fogo da justiça Divina, é a maldade não redimida, o pecado não purificado e, consequentemente, a memória íntegra do ultraje não cessado.

Ensinou o profeta: 

“Circuncidai-vos em honra do Senhor, tirai os prepúcios de vossos corações, PARA QUE MEU FUROR não CONVERTA EM FOGO, e não vos consuma, SEM QUE NINGUÉM POSSA EXTINGUI-LO, POR CAUSA DA PERVERSIDADE DE VOSSOS ATOS. ” (Jeremias 4, 4)

Essa é a “morte” trazida pela condenação, conforme outro profeta: 

“[…] muitos dos que dormem no pó da terra RESSUSCITARÃO, UNS PARA VIDA ETERNA, E OUTROS PARA VERGONHA E DESPREZO ETERNO. ” (Daniel 12, 2) Ora, uma alma apagada não sentiria o desprezo espiritual, nem aflição de perder para sempre a comunhão com Deus. Nela não haveria desespero ou sofrimento, não podendo sofrer penalidade alguma.

Lecionou São João Crisóstomo: 

“Alguns dizem: empreguei poucos instantes em matar; e por esses instantes de pecado deverei sofrer pena eterna? SIM porque Deus julga o vosso pecado, não pelo tempo que despendeste em cometê-lo, mas pelo mal que realiza. ” (ano 347, cit. in: O Inferno – se existe, o que é e como poderemos evitá-lo)

A imortalidade dá por duplo motivo: 

Primeiro: ― pelo efeito incessante da Graça nos afortunados que foram salvos para a vida eterna, e, portanto, viverão eternamente; 

Segundo: ― pelo efeito eterno da Justiça condenatório nos desafortunados, pelos pecados, outrora não perdoados em suas violações contra Deus.

 

8.  A SARÇA QUEIMA SEM CARBONIZAR E O “VERME” NUNCA MORRE.

Nas Escrituras e na Tradição, o fogo prefigura, ora Poder, outrora a punição, ou ambos simultaneamente. 

Aquele fogo Divino na sarça, representava essas duas coisas:

“Moisés olhava: A SARÇA ARDIA, MAS NÃO SE CONSUMIA. Vou me aproximar, disse ele consigo, para contemplar esse extraordinário espetáculo, e saber porque a sarça não se consome.” (Êxodo 3. 3 e 4)

Deus se apresentava ao patriarca em sua justiça e onipotência. 

A sarça que não queimava, mas ardia em chamas, está como a alma condenada, a qual não é aniquilada, mas morre por não haver sinais vitais, inexistindo nela nada além das dores da combustão.

Disse Cristo numa metáfora ao Geena:31 ― “Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares coxo na vida eterna do que, tendo dois pés, seres lançado à GEENA DO FOGO INEXTINGUÍVEL, ONDE O SEU VERME NÃO MORRE E O FOGO NÃO SE APAGA. Porque todo homem SERÁ SALGADO PELO FOGO […] 

Prosseguindo: ― “ Porque todo homem será salgado pelo fogo. O sal é uma boa coisa; mas se ele se tornar insípido, com que lhe restituireis o sabor? Tende sal em vós e vivei em paz uns com os outros. (São Marcos 9. 45 – 50)” 

Essa citação, se refere a uma antiga profecia: ― “Humilha profundamente o teu espírito, pois O FOGO E O VERME SÃO O CASTIGO da carne do ímpio. ” (Eclesiastes 7. 19)

O “verme” representa os bichos da putrefação da matéria orgânica morta, os quais também morrem após devorá-la. Mas estes “vermes”  referidos, não morreriam, antes, corroeriam a carne “morta” para sempre.

O sal é outra referência a imortalidade,32 vez que salgamento era a forma primitiva de conservação.

Ensina Santo Tomás: 

“[…] este verme sempre vivo, sempre lhe roerá o coração é o remorso: O seu verme não morre. Dirá então: Ó insensato que fui! Podia fazer-me um grande santo. Tivera obedecido, agora estaria salvo; e eis que em vez disso, por minha própria culpa, por um nada estou condenado sem remédio! ” (Meditação de S. Tomás. 1 Reg. 15, 23)

Daí temos: 

Primeiro: ― a morte (decomposição) é apenas para o corpo, sendo que a alma espiritual permanece viva à espera do seu juízo final; 

Segundo: ― admitir que morramos corpo e alma, já não seria ressurreição do mesmo ser, mas renascimento de outro.

Diz Santo Tomás:

“Ora, o homem tem corpo como os brutos, como também tem as potências comuns ao corpo e à alma. Mas só as faculdades próprias à alma, isto é, as racionais, é que pertencem exclusivamente ao homem. POR ONDE, A VIRTUDE HUMANA, DE QUE AGORA TRATAMOS, NÃO PODE PERTENCER AO CORPO, pois É PRÓPRIA DA ALMA. ” (Suma Teológica, Q 55, art. 2º Tratado do Homem)

A alma espiritual, como elemento da nossa essência racional e transcendental é o que nos comunica com a ciência de Deus. 

Essa ciência é absolutamente necessária à salvação, motivo da alma diferida que nos leva a conhecer a Verdade e a Ela associar ou desprezar: — “Deus criou o homem da terra, formou-o segundo a sua própria imagem; CRIOU NELES A CIÊNCIA DO ESPÍRITO, ENCHEU-LHES O CORAÇÃO DE SABEDORIA, E MOSTROU-LHES O BEM E O MAL.”  (Eclo 17, 1 e 6)

_________

  1. Elias, Enoc e a Virgem não conheceram morte física, foram arrebatados. Questão abordada no vol. I. Capítulo III “Da Intercessão dos Santos.https://www.clubedeautores.com.br/book/205963–A_FE_CATOLICA_NAS_ESCRITURAS_E_NA_TRADICAO_DOS_APOSTOLOS?topic=teologia#.WC069rIrLIU
  2. Platão na obra Fédon339 AC, ensinava que a alma é eterna. A Igreja, em contrário, ensina que é mortal até receber o Espírito.
  1. Sujeito às leis da física (tempo, espaço, início, fim, deterioração e outros)
  2. Não sujeita às leis físicas, e que, portanto, se conserva permanentemente.
  3. No AT a palavra alma consta naphesch, que é vida em hebraico: http://biblehub.com /hebrew/ 5315.htm . (Gn 1, 30)
  4. Morte é a retirada da alma do corpo. Ressurreição em contrário, sua reinserção.
  5. Dionísio, o Areópago, filósofo grego convertido (Atos 17, 34), discípulo de S. Paulo e autor de “Corpus Areopagiticium. ”
  6. Um homicida pode destruir o corpo, não a alma.
  7. Destruir apollumi, é tanto desaparecimento, quanto inutilização. http://biblehub.com/greek/622.htm. E Deus pode destruir a alma das duas maneiras. “Pode” ou dunamenon é capacidade, faculdade. http://biblehub.com/ greek/ 1410. htm
  8. Como os corpos mumificados.
  9. A alma dos anjos opera todas as Virtudes de Deus, independente de corpo. As naturezas dos seres angelicais e das criaturas corpóreas são distintas. (Suma de Aquino, Q 78, art. 6°)
  10. Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós (I Cor. 6, 19)
  11. O pecado atingiu o corpo, (Gl 5, 17; I Cor. 15, 59 e II Cor. 7,1) apagando essas Virtudes, desfazendo na Alma do homem a imagem de Deus, a qual se restaura em Cristo, e por Cristo.
  12. Escritor Eclesiástico e um dos grandes Cátedras da Igreja.
  13. Morte não pela desaparição, mas pela ausência de funcionalidade, como diz o   texto sagrado: – “Também o seu amor, ódio, inveja pereceram, e já não tem parte alguma para sempre; pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria” (Ecle. 9, 6 e 10). A alma condenada sentirá apenas a Justiça de Deus: – “Sobre os ímpios ele fará cair uma chuva de fogo e de enxofre; um vento abrasador de procela será o seu quinhão. (Sl. 10, 6); os ímpios perecem nas trevas; (I Sm. 2, 9)
  14. Ciência de Deus, no sentido participar das suas Virtudes e do seu Caráter.
  15. Os que não tem a Ciência Perfeita sobre Deus, tem a percepção, como as crianças, os alienados e os silvícolas.
  16. A ressurreição é do corpo, não d’alma, pois ressuscitar e decompor são exclusividades da matéria. O homem será julgado por inteiro, em corpo e alma.
  17. Assim também a fé: se não tiver obras é morta em si mesma. (S.  Tiago 2, 17) ”
  18. Vida eterna significa viver na Glória Celestial.
  19. Bispo em Esmirna, em 177 DC e um dos Cátedras da Igreja.
  20. “Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Eis que eu vos dou toda a erva que dá semente sobre a terra, e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas a sua semente, para que vos sirvam de alimento. (Gn 2, 28 e 29) ”
  21. Moisés morreu e fora sepultado no Monte Horebe, (Dt. 32, 51-52; 34, 6 e Núm. 20,12). Estando sua alma aguardando a ressurreição dos justos (Is. 26:19, Dn. 12:2, Ap. 20:4-5) por ordem Divina aparece a Cristo para confortá-lo, antes da crucificação. (Mt 17-1,8) Deus é o único que pode agir fora da ordem universal preestabelecida.
  22.   No inferno dos condenados haverá privação total e irreversível da Comunhão com Deus que é pena de dano; e por consequência sofrimento por não se comunicar com Ele. Essa é a pena de dor.
  23. Deus é ONIPRESENTE e no inferno ele está como JUSTIÇA: “Se subir até os céus, ali estareis; se descer à região dos mortos, lá vos encontrareis também. (Sl. 138, 8) ”
  24. A alma que pecar, essa morrerá (Ez. 18, 4): Não implica no apagamento, mas separação de Deus por causa do pecado, o que pode ser revertido em Cristo: “Estando mortos em razão de nossos delitos, nos vivificou em Cristo: “pela graça fostes salvos” (Ef. 2,5); E a vós, que estáveis mortos em vossos delitos e em vossa carne incircuncisa, vos vivificou juntamente com Ele e nos perdoou a todos os nossos delitos” (Col. 2,13).
  25. Excluído ou rejeitado, no grego “adoidamos” (ἀδόκιμος).  http://biblehub.com/léxicon/1_corinthians/9-27.htm
  26. ARISTOTELISMO E PLATONISMO: Duas correntes filosóficas que discutiam a natureza da alma. A aristotélica defendia a MORTALIDADE e a platônica a IMORTALIDADE. A diferença entre filósofos imortalistas e a fé cristã, é que aqueles defendiam que a alma é imortal por ser eterna. Em “Diálogo com Trifão, anos 100 ou 150, S. Justino corrige o pensamento platônico, no sentido da “alma humana ser mortal por natureza, ” pois a Igreja ensina que as almas humanas foram imortalizadas por vontade de Deus.
  27. A morte física cessa a fase do arbítrio. Não poderá após isto, produzir amor ou ódio, se arrepender ou pecar. (Ecle 9. 6 e 10). Mas os efeitos desse ódio pecaminoso ou do amor, obrados quando encarnados, serão a razão do seu juízo final, traçando seu destino, acompanhando o homem no mundo porvir.
  28. Numa interpretação dialética de Isaías 43, 25, a recíproca é verdadeira, pois também a lembrança de Deus sobre os pecados não arrependidos será eterna.
  29. Fornalha que queimava cadáveres de doentes, cuja pira era mantida acessa diuturnamente. Prefiguração ao castigo eterno: Afastai-vos de mim malditos, para o fogo eterno!” (Mt 25,41). Cat. §366: a alma espiritual criada por Deus não perece quando se separa do corpo, e se unirá novamente no juízo final.
  30. A segunda morte é esta: o tanque de fogo. (Ap 20, 14) Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a conseguirão; desejarão morrer, e a morte fugirá deles.(A 9, 6)” Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe  em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas. (Lc 16, 24) Será atormentado pelo fogo e pelo enxofre diante dos seus santos anjos e do Cordeiro. (Ap 14, 10) A fumaça do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos. Não terão descanso algum, dia e noite, esses que adoram a Fera e a sua imagem, e todo aquele que acaso tenha recebido o sinal do seu nome. (Ap 14, 11)
  31. Tudo que vai além do raciocínio lógico e limitado do mundo material.

 

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