Fé e Razão

DA INFIDELIDADE ENQUANTO INCREDULIDADE OU DESOBEDIÊNCIA.

 

Se a legítima e perfeita fé provém da PREGAÇÃO (Rm 10.17), e a pregação se exerce em razão da PALAVRA VIVA [1] que é CRISTO (I Cor 14.36), conclui-se que a finalidade do ouvir é obedecer, e todo aquele que se dispõe a ouvir, deve estar disposto também a obedecer.

O objeto da fé é mover o intelecto, a vontade e a ação humana à vontade perfeita de Deus:

“OBEDEÇAMOS à sua gloriosa VONTADE. Convertamo-nos à sua piedade, abandonando a vaidade, discórdia e a inveja que levam para morte. O Pai misericordioso tem o coração voltado para os que o temem e, com doçura e suavidade oferece suas Graças aos que DELE SE APROXIMAM. ” (São Clemente Romano, item 9 e 23, p. 22 e 29, Carta aos Tessalonicenses, nos anos de seu Papado, de 88 até 97 DC)

Logo, a fé não é um fim em si mesma, mas um meio que nos conduz até Deus:

“O COMEÇO é a FÉ, e o FIM é o AMOR. Os dois juntos são de Deus, e tudo o mais, que se refere à perfeição e santidade, os seguem.” (Santo Inácio de Antioquia, Epístola aos Efésios, item 14 p. 55, anos 90 DC) 

Fé é dom do Espírito Santo,[2] sob a qual o ser humano deve estar submisso por completo, não apenas pelo intelecto, mas principalmente pela vontade prática.

A infidelidade é o pecado que se opõe à fé, como ensinou o mártir Santo Inácio de Antioquia: “A FÉ NÃO PODE REALIZAR AS COISAS DA INFIDELIDADE, NEM A INFIDELIDADE AS COISAS DA FÉ. Vossa fé é o vosso guindaste que os eleva até Deus. É melhor calar e ser, do que falar e não ser. ” (Epístola aos Efésios, item 7, p. 2)

Enquanto desobediência, a infidelidade está em todo aquele cuja fé se faz presente em seu intelecto, mas por debilidade não alcança mover a vontade para assim se tornar prática.

Tem ele a consciência do que é reto e justo aos olhos de Deus, mas não detém a Graça eficiente para que sua fé molde sua vontade, naquilo que é a vontade de Deus.

Um indivíduo pode ter fé em Cristo, e assim, ciência de que desonestidade é pecado. Mas se não houver em sua fé o movimento em direção à vontade prática, não terá ele capacidade de não se deixar envolver pelos laços da desonestidade, de nada servindo assim, essa sua fé viciosa, deficiente e inacabada.

A obediência, que é virtude da Graça, é necessária para que toda fé passe da potência para o ato.

Não há salvação para uma fé que conflita com a obediência, pois “sois  ESCRAVOS daquele a quem OBEDECEIS, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça? (Romanos 6, 16)” 

“Estamos prontos também para CASTIGAR todos os DESOBEDIENTES, (II Coríntios 10, 6) 

“Em OBEDIÊNCIA à verdade, tendes purificado as vossas almas para praticardes um amor fraterno sincero.” (I São Pedro 1, 22)

“OBEDECE, pois, à sua voz e guarda os seus MANDAMENTOS e suas LEIS que hoje te prescrevo.” (Deuteronômio 27, 10)

“Aquele que é FIEL nas coisas pequenas será também FIEL nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes.”  (São Lucas 16, 10) 

“Mas aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera – não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como CUMPRIDOR FIEL do preceito -, este será feliz no seu proceder.”  (São Tiago 1, 25)

Noutro sentido, temos também a infidelidade enquanto incredulidade, como ensinou Santo Tomás de Aquino:

“A infidelidade pode ser considerada como a pura negação (da verdade), chamando-se neste caso infiel uma pessoa, pelo fato de não ter fé ou ter (crença) contrária a fé.”  (Suma Teológica. Q 10, art. 1. Da Infidelidade em Comum)

A incredulidade nasce da soberba daquele que, após ter recebido a pregação da Santa Igreja, entende por “bem” desprezá-la, não aceitando submeter-se cotidianamente às regras e preceitos da fé, por não acreditar na Sã Doutrina.

A infidelidade, sob a espécie de incredulidade, é um pecado intelectual, ao passo que sob a espécie da desobediência tem sua origem na disposição da vontade.

Foi pela obediência e credulidade que o jovem mártir, Santo Inácio de Antioquia, aceitou voluntariamente o martírio para não ter que renunciar a sua fé em Cristo:

“Duas coisas estão diante de nós: a morte e a vida. E como se tratasse de duas moedas, a de Deus e a do mundo, cada uma delas é cunhada com a sua marca; os infiéis trazem a marca deste mundo, os fiéis trazem no amor a marca de Deus Pai, gravada por Jesus Cristo. Se não estamos dispostos a morrer por ele, para participar de sua paixão, a vida Dele não está em nós.”  (Epístola aos Magnésios, Itens 2 a 5, p. 55)

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[1] Levar a Palavra não significa apenas a Bíblia, em prosa e verso, mas a própria essência materializada de Cristo que dela se extraí. “Porventura foi dentre vós que saiu a palavra de Deus? Ou veio ela tão-somente para vós? (I Coríntios 14, 36)

[2] O sentido de fé aqui empregado é a disposição potencial de todo ser humano em buscar Deus, buscar o transcendente e a Verdade Suprema: “pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. (Ef 2.4)

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“São João Batista, a voz que clamava no deserto. O último profeta que precedeu JESUS CRISTO.”

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