Sacramentos

O VERBO ENCARNADO E OS SACRAMENTOS

Estes sinais nos foram deixados por Cristo, e são sete: Batismo, Crisma, Matrimônio, Ordem, Eucaristia, Penitência e Unção aos enfermos: " Vi também na mão direita de quem estava assentado no Trono, um Livro escrito por dentro e por fora, SELADO COM SETE SELOS. ” (Ap 5. 1) " Quem é digno de abrir e desatar os selos? O Leão da Tribo de Judá, o DESCENDENTE DE DAVI, achou meio de abrir o Livro E DESATAR OS SETE SELOS. ” (Ap 5. 2 e 5)"

 

Conforme a ECONOMIA 1 DOS SACRAMENTOS, estes sinais nos foram deixados por Cristo, e são sete: Batismo, Crisma, Matrimônio, Ordem, Eucaristia, Penitência e Unção aos enfermos.

“Vi também na mão direita de quem estava assentado no Trono, um Livro escrito por dentro e por fora, SELADO COM SETE SELOS. ” (Ap 5. 1)

“Quem é digno de abrir e desatar os selos? O Leão da Tribo de Judá, o DESCENDENTE DE DAVI, achou meio de abrir o Livro E DESATAR OS SETE SELOS. ” (Ap 5. 2 e 5)

Para compreender a economia sacramental, é essencial antes de tudo, compreender que CRISTO É ONIPRESENTE em sua NATUREZA HUMANA, que se fragmentou, e agora repousa em certos sinais manados do seu sacrifício:

“ Ei-lo, Jesus Cristo, aquele que veio pela água e pelo sangue; não só pela água, mas pela água e pelo sangue. ” (I Jo 5, 6) 

A Natureza Humana de Cristo agora se faz ONIPRESENTE nos Sacramentos:

“Ele vos reconciliou pela morte de seu CORPO HUMANO, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai. ” (Col 1, 22)

Em razão do pecado original, o ser humano voluntariamente se afastou de Deus, distanciando-se da sua única fonte de vida.

https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com.br/2016/11/do-batismo-em-geral-ei-lojesus-aquele_16.html 

Mas pela Divina Providência, temos em Cristo o Salvador da criatura decaída, implicando que o Espírito do Criador não agirá diretamente no homem para lhe ministrar a salvação, senão através de Mediação.2

E esse único Mediador que é Três numa só Pessoa, possui duas Naturezas,3 distintas e sagradas, que não se confundem, nem se anulam, antes, se comunicam:4

Ele é Deus e Homem. 

É Espírito e Matéria.

O Espírito Divino é o elemento incriado que sempre existiu, ao passo que a matéria que Ele toma, transforma e Diviniza quando se Encarna, é retirada da própria criação, precisamente, do elemento adâmico que o liga aos antigos Patriarcas.5

https://magisteriotradicaoescrituras.com/2018/09/11/maria-e-a-origem-biologica-do-cristo/

Daí, temos que: 

Primeiro — por vontade de Deus, a obra da regeneração da criatura (e que procede do Espírito Divino), não alcança o ser humano diretamente, senão por Mediação; 

Segundo: — o Mediador não é exclusivamente Espírito, mas Espírito e Matéria, porquanto toda regeneração em nosso favor é depositada na Matéria do Cristo Encarnado, e só depois comunicada pelo Corpo Sacrificado (Col 1, 22); 

Terceiro: — Deus se comunica com o homem por completo, e sendo o homem espírito e matéria, essa comunicação ocorrerá nesses dois elementos.

Disto ainda podemos tirar outra tríplice conclusão: 

Primeira: — convinha o Verbo se fazer Carne, para que todas as coisas invisíveis e sobrenaturais de Deus pudessem se tornar visíveis e acessíveis ao homem natural; 

Segunda: —  sendo o homem atingido por inteiro, no corpo e espírito pelo pecado, a Graça que o salvará no espírito é também para o corpo, como se prova pela ressurreição da carne; 

Terceira: — o ser humano necessita se comunicar com Deus não só em espírito, mas também em matéria; e sendo indivisivelmente criado corpo e espírito, o que lhe atinge na matéria, atingirá após no espírito.

É como disse o Apóstolo:

“SE HÁ UM CORPO ANIMAL, também há um ESPIRITUAL. ” (I Cor 15,44) “MAS NÃO É O ESPIRITUAL QUE VEM PRIMEIRO, E SIM O ANIMAL; o espiritual vem depois. ” (I Cor 15, 46)

Pela Encarnação de Cristo, somos elevados a participar de uma vida sobrenatural com Deus.

Santo Tomás explica: 

“É da natureza humana o corpóreo e o sensível até atingir ao espiritual. A ligação espiritual final, atinge primeiro a sensibilidade e o intelecto. Por isso, convinha a Divina Sabedoria conferir auxílios à salvação, sob certos sinais corpóreos e sensíveis chamados sacramentos. […]Pelo pecado, o homem tornou-se sensível e afeito às coisas corpóreas. […]E onde padece uma doença, aí se deve aplicar o remédio. Por meio de sinais corpóreos, Deus aplica ao homem uma medicina espiritual, como era a circuncisão. Pelos sacramentos, o homem é ensinado conforme sua natureza. ” (Suma Teológica Q 65, art. 1º Dos Sacramentos.)

Se no Mistério Glorioso da Encarnação do Verbo, o Criador escolheu tomar a matéria criada e transformá-la em via condutora do seu Espírito, 

Resultado de imagem para cristo crucificado água e sangue lança

assim é também com relação a água batismal, na qual habita o Espírito Divino, comunicador das Graças oriundas do sacrifício do Cordeiro: 

“ No princípio, Deus criou os Céus e a terra[…]; a terra era informe e vazia, e as trevas cobriam o abismo, e o ESPÍRITO de Deus PAIRAVA6 sobre as ÁGUAS. ” (Gn 1, 1 a 3) 

 

Por causa do pecado, o nosso elemento orgânico tornou-se incapaz de ascender à Graça independentemente da matéria. E a matéria que nos liga ao Sagrado, está nos elementos do Corpo Santo do Mediador, os quais só podem ser encontrados na Igreja por ele edificada que é o seu Corpo Místico na terra. (I Tm 3, 15; Ef 5, 23 e 24)

Disto se extrai a natureza Teândrica da Salvação, a qual podemos resumir desta maneira:

A matéria é sensível; mas o Espírito transcendente.

E o que é sensível, tanto recebe, quanto percebe antes.7

Conforme ensinou Santo Tomás de Aquino: 

“Conveniente que as coisas invisíveis de Deus se manifestem pelas visíveis; pois, para tal foi feito todo o mundo, segundo as palavras do Apóstolo (Rm 1, 20). As coisas invisíveis de Deus só se vêem pelas obras feitas. Pela Encarnação se manifesta, ao mesmo tempo, a Bondade, a Sabedoria, Justiça e o Poder ou Virtude de Deus. A BONDADE NÃO DESPREZOU A FRAQUEZA DE SUA CRIATURA. Logo, convinha Deus se Encarnar. A cada coisa é conveniente o que lhe cabe, segundo a essência da própria natureza. Pertence a Bondade se comunicar de maneira mais simples à criatura, o que sobretudo, se realiza por ter-se a si mesmo, unido a natureza criada de modo a fazer uma só Pessoa no Verbo, em alma e carne, como diz Agostinho. ” (Suma Teológica, Q 1° art. 1° – Dos Sacramentos)

Deus Criador, fazendo-se Imagem Encarnada no Filho, depositou na sua Encarnação os elementos8 que pela fé, tomariam forma visível, tornados assim, em meios palpáveis de acesso a Graça. 

Deus não só nos deu a sua Graça como fim, mas também os meios para acessá-la. E sendo a Graça, sobrenatural, de maneira idêntica são sobrenaturais os meios pelos quais a contatamos. 

Ensinam as Escrituras: — “ São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus, e ATRAVÉS DOS BENS *VISÍVEIS,* não souberam conhecer aquele que É, nem reconhecer o Artista considerando suas obras. ” (Sb 13, 1)

“Não imiteis o procedimento dos pagãos, NEM TEMAIS OS SINAIS CELESTES, COMO TEMEM OS PAGÃOS. ” (Jr 10, 2)

“Como, então, escaparemos nós se agora desprezarmos a mensagem da salvação, tão sublime, anunciada primeiramente pelo Senhor e depois confirmada pelos que a ouviram, comprovando-a o próprio DEUS, POR SINAIS, prodígios, milagres e pelos dons do Espírito Santo, repartidos segundo a sua vontade? ” (Hebreus 8, 3,4)

Sobre a Eucaristia, restou dito:

“Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que DURA ATÉ A VIDA ETERNA,  que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu SINAL.” 

Fazendo-se Matéria pelo Filho, instituiu Deus alguns SINAIS MATERIAIS (selos), como consequência da Encarnação, os quais constituem-se em Bens Corpóreos que nos integram ao Patrimônio do Reino do Céu: 

“Pela fé, reconhecemos que o mundo foi formado pela Palavra de Deus, e que as coisas VISÍVEIS se originaram do invisível. ” (Hebreus 11, 3) 

“Ele é a IMAGEM DE DEUS INVISÍVEL, o Primogênito de toda a criação. ” (Col. 1, 15) 

“Desde a criação do mundo, AS PERFEIÇÕES INVISÍVEIS DE DEUS, o seu sempiterno Poder e Divindade, se tornam VISÍVEIS  à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. ” (Rm. 1, 20)

Os sinais materiais ou corpóreos estavam, e ainda estão presentes na relação espiritual entre Deus e os seres humanos, através da Igreja.

Após substituir o sinal da circuncisão (Gálatas 6, 16) pelo Batismo (Atos 9, 18), e assim, o judaísmo farisaico pela Fé Cristã, Apostólica e Romana (Rm 1.1 à 8; 6, 17; 15, 14 e 16, 20), admitiu de viva voz o Apóstolo toda importância da marca corpórea do Verbo Encarnado:

“Porque a circuncisão e a incircuncisão de nada valem, mas sim a nova criatura. De agora em diante, trago em MEU CORPO AS MARCAS DE JESUS. ” (Gálatas 6, 15-17)9 

“Ele NOS MARCOU COM O SEU SELO e deu aos nossos corações o penhor do Espírito. ” (II Cor. 1, 22)

É a Encarnação do Cristo que nos salva, nos unindo à sua Divindade, pois só em sua Natureza Humana Ele tornou-se Sacrifício, vez que só Nela, o Cordeiro de Deus poderia padecer e morrer. 

Conclui-se que a Encarnação nos deixou vestígios aparentes e palpáveis, expandindo-se de modo Onipresente nos sacramentos.

O Corpo de Cristo tornou visível a Divindade, nos dando elementos concretos da salvação.

A fé atua na Matéria por causa da Graça, e pela Encarnação do Verbo, o Espírito atua mediante a matéria. 

O termo sacramento veio do grego mysterion (o oculto revelado na matéria), que é sinal daquilo que existe, mas não se enxerga, pois a realidade transcendental e espiritual não pode ser captada e percebida pelos sentidos naturais.10

Não são símbolos pedagógicos, mas sinais eficientes, miraculosos, depositados na matéria natural e que nos ligam à Graça.

O Antigo Testamento prefigurou aquilo que viria pelos sacramentos. 

Essas prefigurações não tinham a infusão plena da Graça que só viria com Cristo. 

A despeito disso, testemunharam o Poder e da Vontade Divina em se comunicar conosco em Espírito e Matéria. Isso vemos no Mistério da Encarnação que é  a Comunicação indissolúvel entre a matéria criada e o Espírito Eterno e Incriado.

Temos assim, sinais no sangue dos cordeiros marcando as portas dos hebreus; e nos pães consumidos em Celebração antes da fuga do Egito, prefigurando a Eucaristia:

“[…] SANGUE sobre as casas em que habitais vos servirá de SINAL: vendo o sangue, passarei adiante, e não sereis atingidos pelo flagelo destruidor, quando eu ferir o Egito. ” (Ex. 12, 13)

“Comer-se-ão pães sem fermento durante SETE DIAS. Não se verão em tua casa, em toda a extensão do território, nem pães fermentados, nem fermento. ” (Ex.12. 15)

“[…] será isso para ti como UM SINAL sobre tua mão, como UMA MARCA entre os teus olhos, a fim de que tenhas na boca a lei do Senhor, porque foi graças à sua poderosa mão que o Senhor te fez sair do Egito. ” (Ex. 13,9)

Há ainda alguns sinais nos elementos das águas prefigurando o Batismo: 

“ ASPERGI-ME com um ramo de hissope e ficarei puro. LAVAI-ME e me tornarei mais branco do que a neve. ” (Salmo 50,9)

“ A prosperidade do homem está na mão de Deus; é ele que PÕE NA FRONTE do escriba um sinal de honra. ” (Eclo 10, 5)

Há outros sinais que Deus colocou na própria matéria orgânica de certos homens, como prova da eficiência da comunicação entre matéria e Espírito Divino, assim como entre as Naturezas Divina e Material do Cristo: 

“ Cortareis a CARNE de vosso PREPÚCIO, e isso será o SINAL DA ALIANÇA ENTRE MIM E VÓS. ” (Gn 17, 11)

“[…] navalha não tocará a sua cabeça, porque esse menino será nazareno de Deus desde o seio de sua mãe, e será ele quem livrará Israel da mão dos filisteus. ” (Jz 13, 5)

“OS SEUS CABELOS recomeçavam a crescer. ” (Sansão, no livro dos Juízes 16,22)

Houveram de igual modo, certos prodígios e inúmeros milagres que foram canalizados por intermédio de determinados objetos:

Toma em tua mão ESTA VARA, com a qual operarás prodígios. ” (Êx 4, 17

“Eis o que diz o Senhor: nisto reconhecerás que eu sou o Senhor: vou ferir as águas do Nilo COM A VARA que tenho na mão e elas se mudarão em sangue. ” (Êx 7, 17)

Em todas essas situações, e em muitas outras, notamos Deus realizando o sobrenatural, utilizando-se da matéria natural criada, como aconteceu na cura do cego com emprego de saliva e argila. (Jo 9. 1 à 7) 

Resultado de imagem para deus curando o cego com argila nos olhos

Embora essas prefigurações, como protótipos, não contivessem plenamente a Graça, continham certas manifestações dela, como por exemplo, o perdão; purificação; a força física na ajuda caritativa aos cativos; atos sacrificiais, dentre outros.

Atuando eficiente através da matéria, o Criador quis que estes sinais servissem de preparo para os sinais verdadeiros do porvir, demonstrando ainda ser Ele o único capaz de reunir novamente a criação com o Criador; o natural ao sobrenatural; o material e o espiritual, e assim reunir novamente matéria perecível ao Poder da Divindade imortal.

Os sinais arcaicos e figurativos da antiga Aliança perduraram até a chegada dos sinais legítimos.

A Doutrina Sagrada não ensina que ao se unir a criatura, a Divindade de Cristo tenha perdido quaisquer dos seus atributos. 

Sequer que tenha se rebaixado em sua condição de Ser Supremo, Onipotente, Onipresente11 e Onisciente.

Ensina Santo Agostinho: 

Por ter-se unido à carne humana, não abandonou ou perdeu o exercício do Governo Universal; pois Deus é Grande pela sua Virtude. Por isso, a Grandeza não se comprimiu com a exiguidade local. Não é, portanto, incrível, que O VERBO DEUS, PERMANEÇA TOTAL E SIMULTANEAMENTE EM TODA PARTE. Por onde, nenhum inconveniente resulta para Deus, a Encarnação. ” (Aquinate, 1, I.)

Todas as limitações que Cristo assumiu por vontade própria enquanto entre nós, foram temporais e só existiram até a crucificação:12 

“Sendo Ele de condição Divina, não prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo; assemelhando-se ao homem. ” (Filipenses 2, 6, 7 e 8) 

“[…] POR POUCO TEMPO, o colocaste inferior aos anjos; de glória e de honra o coroaste. ” (Hebreus 2,17)

A Humanidade de Cristo, ONIPRESENTE, agora está nos sacramentos:

“Sim, é tão sublime, unanimemente o proclamamos, o Mistério da Bondade Divina: MANIFESTADO NA CARNE, JUSTIFICADO NO ESPÍRITO, VISTO PELOS ANJOS, ANUNCIADO AOS POVOS, ACREDITADO NO MUNDO, EXALTADO NA GLÓRIA. ” (I Tm 3.16)

Não por outra razão, o Deus Filho Encarnado deverá ser Adorado em Carne:

E novamente, ao introduzir o seu Primogênito na terra, diz: todos os anjos de Deus o adorem.” (Sl 96,7) (Hb 1, 6)”

Estaríamos negando a existência da Divindade na Encarnação, se apenas venerássemos, e não adorássemos, verdadeiramente, o Corpo de Cristo através de sua Humanidade incorrupta e santíssima, incidindo na sentença proclamada por São  João:

“Todo espírito que proclama que Jesus Cristo se Encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus, esse não é de Deus, mas é o espírito do anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo. (I Jo 4. 2 e 3)” 

Há em Cristo Duas Naturezas (em Hipóstase), numa só Pessoa, num Único ser e atuando harmonicamente.

Existem operações que são próprias da Natureza Humana, como comer e o andar.

Há aquelas que são próprias da Natureza Divina, como o milagre e os prodígios.

Por fim, há aquelas que são próprias da Natureza Divina instrumentalizadas em sua Natureza Humana, como a ressurreição do Corpo, o martírio e a oferta seu Corpo e Sangue na matéria do pão e do vinho, além dos outros sacramentos em geral.

O Divino Humano se relaciona de modo equilibrado com o Humano Divino, e vice-versa.

Eis o sentido na Hipóstase Cristiana.

Explica Santo Tomás: 

“Um é o efeito próprio da operação Divina e outro, o da operação Humana em Cristo. Assim, efeito próprio da operação Divina é a cura do leproso; ao passo que efeito próprio da Natureza Humana é o tê-lo tocado. Mas, ambas essas operações concorrem para o mesmo efeito, PORQUE UMA NATUREZA AGE COM A PARTICIPAÇÃO DA OUTRA. ” (Tratado da Encarnação do Verbo, Q 10, art. 1°)

A Natureza Divina, Eterna e Imortal do Cristo, operou a ressurreição através da Natureza Humana; e o fazer milagres e prodígios, sendo Ele homem, tem como causa originária sua Natureza Divina.

Em Cristo convinha coexistirem duas Naturezas, porque: 

Primeiro: — se não fosse Divino não serviria de sacrifício Digno para Deus;

Segundo: — se não fosse Humano não redimiria a humanidade na carne e no espírito, nem serviria ainda de holocausto (sacrifício), posto que só sua Natureza Humana poderia morrer.

Cristo é a Divindade Humanizada e a Humanidade Divinizada.

Em seu Corpo Encarnado,13 se guardam todos os elementos e sinais onde podemos encontrá-lo e interagir com Ele.

Cristo é Deus; e como Deus é Encarnado; e COMO DEUS ENCARNADO É ONIPRESENTE, atributo este, não só da Natureza Divina, restando revelado que a Onipresença em sua Natureza Humana ou Corpo de Homem se faz nos sacramentos. 

Nossa relação com Deus não é apenas fide dei (Deus pela fé), mas também actio dei (Deus pelos sinais).

Os sacramentos são verdadeiramente a extensão do Corpo Encarnado de Cristo entre nós, o qual ascendeu ao Céu, e que mesmo assim continua presente pela Fé da Igreja: 

“Ele, que esteve visível como nosso redentor, agora passou para os sacramentos. (São Leão Magno, ou São Leão I, ano + 440)”

Negar os sinais é negar a Onipresença do Deus Encarnado.

Finaliza Santo Tomás: — “[…] os sacramentos podem ser considerados em relação à CAUSA Santificante que é o VERBO EN­CARNADO; que por meio de coisa visível toca o corpo, e é crido pela alma por meio da Palavra.  Donde vem essa tão grande virtude da água de tocar o corpo e puri­ficar o coração, senão do Verbo enquanto crido? ” (Suma Teológica Q 60, art 5º)

Não se pode negar a apostasia daqueles que por não crerem nos sacramentos, acabam negando A ONIPRESENTE da natureza humana Encarnada do CRISTO.

Ora, se o CORPO SACRIFICADO de CRISTO nos vem pela água e pelo sangue (I Jo 5,6), dizer que a água do batismo que nos canaliza a comunhão com Ele para renascermos como Filhos de Deus (Mc 16, 16 e Tito 3,5), e o pão e vinho da Ceia Eucarística que nos alimenta de santidade em seu martírio para ressurreição (Mt 26, 26 e Jo 6, 51) são meros elementos simbólicos, equivale dizer que a própria Humanidade de Cristo pela qual somos redimidos, (Col. 1, 22) de igual modo é um elemento meramente simbólico.

Negar os sacramentos implica negar que Cristo, em suas Duas Naturezas Indivisíveis, ainda esteja Onipresente na história da humanidade, como Ele próprio dissera: 

“O ESPÍRITO DA VERDADE QUE O MUNDO NÃO PODE ACOLHER PORQUE NÃO SE VÊ, NEM O CONHECE. VÓS CONHECEIS PORQUE PERMANECE CONVOSCO! EU VIREI A VÓS! O MUNDO NÃO ME VERÁ, MAS VÓS ME VEREIS, PORQUE EU VIVO EM VÓS E VÓS VIVEREIS. NESSE DIA COMPREENDEREIS QUE ESTOU EM MEU PAIS, E VÓS EM MIM E EU EM VÓS. ” (Jo 14 à 20)

“O CÁLICE QUE BENZEMOS, NÃO É A COMUNHÃO COM O SANGUE DE CRISTO? E O PÃO QUE PARTIMOS, NÃO É A COMUNHÃO COM O CORPO DE CRISTO? ” (I Cor. 10, 16)

Todavia, há de se diferenciar os sacramentos das superstições.

Podemos dizer que a superstição é toda crença que busca um certo efeito sobrenatural sobre a matéria sem base na Revelação de Cristo, acabando por encontrar apenas um falso efeito.

Em geral, são práticas que ocorrem pela repetição de processos irreais criados pela mente humana, e, portanto, destituídos de Graça, não podendo servir instrumento de Comunicação entre o Divino e o criado.

Práticas litúrgicas que envolvam matérias despidas da atuação do Espírito Divino, não passam de rituais supersticiosos.

Batizar sem crer na Graça infusa na água, SE PECA GRAVEMENTE, assim como negar no pão e vinho a presença transubstancial do Corpo e o Sangue de Cristo.

A FÉ SACRAMENTAL é firmada nos Efeitos da Encarnação de Cristo, consoante a Tradição Apostólica e nas Escrituras:

” SEM MIM NADA PODEIS FAZER.” (Jo 15,5)

Nasceram os sacramentos justamente com a finalidade combater a superstição.

Ensina Santo Tomás: — “A terceira razão enfim deve ser haurida no exercício da ação huma­na, que versa principalmente sobre a matéria. Sendo impossível ao homem, o sepa­rar-se totalmente dos atos corpóreos, foram-lhe propostas práticas sensíveis, nos sacramentos, com os quais salutarmente se exerce a evitar as práticas supersticiosas, consistentes no culto dos demônios, ou outros maus atos que são as práticas pecaminosas. Pela insti­tuição dos sacramentos o homem e ENSINADO POR MEIO DO SENSÍVEL DE CONFORMIDADE COM A SUA NATUREZA; humilha-se, reconhecendo-se sujeito às coisas materiais, pois acha nelas um auxílio; e também fica preservado de más ações pela prática salutar dos sacramentos. ” (Suma Teológica, Q 61, art. 1º)

Praticar os sacramentos, como meros símbolos, amuletos de legalismos, se incorre no pecado da superstição pela perversão dos Sinais Sagrados.14

Como ensina o Catecismo:

“A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, por exemplo: quando atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si mesma legítimas ou necessárias. Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que exigem, é cair na superstição.” (n° 2111)”

Neste contexto, exemplificando, quem pratica o batismo mas lhe nega a Graça comunicada no elemento da água; quem realiza a Ceia do pão e vinho, mas lhe nega a presença real do Corpo e do Sangue de Cristo, incorrem na prática diabólica da superstição, como fazem os neoprotestantes ou evangélicos.

A Graça nos chega mais facilmente pela fé e na prática nos sinais que Deus instituiu.

Os sinais sagrados estão entre as coisas criadas, que além de testemunharem Deus, nos permitem comunicar diretamente com Ele.

Sacramentos são sinais externos, naturais e instituídos na matéria pela Graça para nos comunicar com Cristo, e nos santificar.

São nossos meios seguros de acesso à Graça, os quais nos permitem pela fé, construir uma relação direta, íntima, plena e permanente com o sagrado, nos tornando não apenas conhecedores, mas membros e partícipes da Matéria do Corpo de Cristo. 

Deus outorgou ao homem a Graça necessária a salvação, e escolhe comunicá-la, mediante a fé preexistente, por certos sinais visíveis como a água  (Batismo e Penitência); o pão; o vinho (Eucaristia) e o óleo (Ordem, Unção aos enfermos e Crisma) além dos nossos próprios corpos. (Matrimônio)

Nessa Comunicação, Ele considerou o homem segundo sua própria natureza, em matéria e espírito, em corpo e alma:

Ensina Santo Tomás: 

“ A Graça de Deus é causa suficiente da salvação humana. MAS DEUS DÁ A GRAÇA AOS HOMENS, SEGUNDO O MODO QUE LHES É PECULIAR. Por isso, os sacramentos são neces­sários aos homens para conseguirem a graça. ” (Suma Q 61, art. 1º)

A fé apostólica, desde dos seus primórdios, é, e sempre será eminentemente sacramental e fideísta, e não apenas intelectual ou filosófica, justamente, porque a SABEDORIA de Deus transcende e supera em muito toda razão e racionalidade humana.

A Encarnação do Verbo nos transmitiu uma Verdade Autêntica da Fé, de que na matéria poderá estar contido o Espírito DIVINO: 

“Verdadeiramente um DEUS SE ESCONDE EM TUA CASA, o Deus de Israel, um Deus que salva! ” (Is 45, 15)

Esses sinais são os antídotos que canalizados na matéria natural, nos protegem contra todas as mazelas espirituais, nos tornando campos férteis para os frutos do Espírito Santo:

“TU SELASTE como num saco OS MEUS CRIMES, puseste um SINAL sobre minhas iniquidades. ” (Jó 14, 17)

Inexiste qualquer sentido figurado na economia dos sacramentos.

Pelo sinal sacralizado na matéria exterior, Deus escolheu alcançar nosso interior:

“Ele nos salvou mediante o Batismo da regeneração e RENOVAÇÃO15 pelo Espírito Santo.” (Tito 5, 3)

Se na histórica primitiva, o ato de sacrar  que se realizava num sinal corpóreo de lealdade, era o que ligava o servo ao rei soberano, também na realidade espiritual, o sacramento é o que vincula, de modo perfeito e completo, o ser humano a Deus.

__________________________________

  1. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. (Hb 10, 9)
  2. Gálatas 3, 19.
  3. Na UNIÃO HIPOSTÁTICA, as Naturezas são inconfusas, indivisíveis e inseparáveis. As naturezas estão juntas, mas não se misturam; são distintas mas não separadas. (Concílio de Calcedônia, 451).” Cristo não é metade Deus, metade homem, mas Deus Homem Encarnado. É o princípio Teândrico da Salvação: no grego teo = Deus + andros = Homem.
  4. DIOFISISMO é o termo teológico que identifica a posição Oficial da Igreja, quanto a União das Naturezas em Comunicação (Communicatio Idiomatum).
  5. Rom, 1, 3; II Tim. 2,8; Rom. 9,5; Heb. 2, 16.
  6. Por isso está Escrito: “Ei-lo Jesus, AQUELE QUE VEIO PELA ÁGUA” (I Jo 5.6); Todos que fostes BATIZADOS, FOSTES REVESTIDOS DE CRISTO. (Gal 3, 20)”
  7. Na prática é assim: Se somos agredidos fisicamente, é o corpo que primeiro sente a dor, e só depois nasce no espírito o desejo de vingar, perdoar ou de justiçar.
  8. Esses elementos espirituais, resumindo, são Graça, Remissão e Justificação, trazidos do Céu pela Encarnação do Verbo, os quais compõem a Doutrina Sagrada.
  9. Jesus replicou-lhe: Em verdade te digo: quem não nascer de  novo (Nova Criatura) não poderá ver o Reino de Deus. Respondeu Jesus: Em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus. (S.  João 3, 3 e 5)
  10. (S. Crisóstomo, Homilies on I Corinthians, 7:1 (p.g. 61,55). Marsili, Dicionário de Liturgia, Paulus, 2ª ed., p. 1059. Na cultura grego romana era o “selo no corpo” que os Centuriões faziam para demonstrar fidelidade ao Imperador. (Russel Norman. Enc.Bíblica teologia e filosofia.6. ed. SP Hagnos, v. 5, 2002. p. 302)
  11. Mas, na verdade, habitará Deus com os homens na terra? Eis que os céus, e o céu dos céus, não te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado?” (2 Cro 6:18) 
  12. Porque a humanidade teria que ser sacrificada em sua própria natureza mortal, e não na natureza imortalizada na humanidade. (Tratado do Verbo Encarnado, S. Tomás de Aquino, Q 14, art. 1º)”
  13. “Ele vos reconciliou pela morte de seu Corpo Humano (Col 1,22)”
  14. Como profetizado, o Anticristo, no fim dos tempos, buscará perverter, esvaziar e deturpar esses Sinais Sagrados, mudando-os. (Ap. 20, 4) 
  15. O Batismo, substituindo a circuncisão, vemos em Colossenses 2.11 e 12.

 

97a86-batismo-valetino_mora
Foto tirada durante o Batismo de Valentino Mora, filho de Erica Mora. Aconteceu na Paróquia da Assunção de N. Sª em Córdoba, Espanha. No momento em que Valentino chegou à pia batismal para receber o Sacramento, Erica pediu à fotógrafa Maria Silvana Salles, contratada por outros pais, que tirasse uma foto de seu filho como um favor, já que ela não tinha como pagar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s