Soteriologia

A PERSEVERANÇA E A SALVAÇÃO

Perseverança é a Virtude do Espírito Santo que nos permite manter estáveis, no âmbito de um juízo bem examinado quanto a retidão da Lei Divina: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, ESCOLHEI hoje a quem sirvais. (Malaquias 2.2)” "Venho em breve. CONSERVA O QUE TENS (Apocalipse 3. 11)" “Por ele sereis salvos, SE O CONSERVARDES COMO VO-LO PREGUEI. De outra forma, em vão teríeis abraçado a fé. (I Co 15. 2)”

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Os prosélitos1 afirmam que “uma vez salvo, sempre salvo.”

Mas para salvação2 é necessário conservar a fé nas verdades reveladas por Cristo, e ensinadas no Magistério da sua Santa Igreja:3

“O Senhor está convosco, ENQUANTO VÓS ESTAIS COM ELE; se o buscardes Ele se deixará achar; PORÉM SE O DEIXARDES, ELE VOS DEIXARÁ. (II Crônicas 15. 2)”

“Mas quem PERSEVERAR ATÉ O FIM será salvo. (São Mateus 24. 13)

Ora, a perseverança não é senão uma Virtude do Espírito Santo que nos permite manter estáveis, no âmbito de um juízo bem examinado quanto a retidão da Lei Divina:

“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, ESCOLHEI hoje a quem sirvais. (Malaquias 2.2)”

“Venho em breve. CONSERVA O QUE TENS. (Apocalipse 3. 11)”

“sereis salvos, SE O CONSERVARDES COMO VÔ-LO PREGUEI. De outra forma, em vão teríeis abraçado a fé. (I Co 15. 2)”

“GUARDA minhas palavras, CONSERVA CONTIGO MEUS PRECEITOS. Observa meus mandamentos e viverás. (Provérbios 7, 1)

Pode ainda ser definida como sendo a constância do indivíduo na Vontade de Deus. E quanto mais difícil a permanência nesta Vontade, mais virtuosa será a obra que a Graça de Deus realizará em nós, se assim desejarmos e permitirmos.

Ensina Santo Tomás de Aquino: — “É mais difícil persistir no Bem, que no mal. Mas os males nos fazem correr perigo de morte frequente. Se considerarmos a perseverança como a virtude que nos faz persistir diuturnamente num Bem difícil, teremos então a virtude perfeita. (Q 153, art. 1º da Suma Teológica, Livro IIa e II ae)”

A finalidade de professar a fé conservada é unir o ser humano aos méritos do Sacrifício do Cordeiro, alinhando nossa vontade imperfeita à vontade perfeita da Divindade.

Nos méritos de Cristo somos redimidos dos pecados e inseridos em sua vontade e ordem perfeita para sermos santificados: — “Porque nos temos TORNADO PARTICIPANTES DE CRISTO, se, de fato GUARDARMOS FIRMES, ATÉ AO FIM, a confiança que, desde o princípio tivemos. (Hebreus 3.14)”

“CONSERVEMOS firme a nossa FÉ. (Hebreus 4. 14) “

“SE BEM FIZERES não é certo que serás aceito? E SE NÃO FIZERES bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, MAS SOBRE ELE DEVES DOMINAR. (Gênesis 4.7)”

A perseverança é uma Virtude da Graça que nos move a viver habitualmente segundo os propósitos e fins para os quais Deus nos destinou:

“É para o céu que nos cumpra operar e sofrer; é para o céu que devem ser dirigidos os nossos desejos e nossos corações. (Compêndio de Teologia mística e Ascética, Tanquerey, p. 355. 5º Ed. francesa, e 3ª Ed. portuguesa, ano 1940)”

A perseverança tem ação dupla, pois cumpre, simultaneamente, por um só ato, dois preceitos Divinos: 1) evitar o conluio com o mal e; 2) testemunhar nosso temor de Deus, nos afastando dos pecados e nos direcionando à perfeição e completude da fé.

E só os plenamente perfeitos amam desinteressadamente ao próximo até a imolação própria, como Cristo fez por nós: — “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. (Efésios 5, 1)

Da perseverança ainda dependem as demais Virtudes, pois sem ela perderemos todas as outras, nos tornando escravos permanentes e partícipes constantes do pecado, vindo a sermos excluídos da Comunhão com Cristo, e extirpados da salvação:

“Esforcemo-nos, pois, por entrar no descanso, afim de que NINGUÉM CAIA segundo o mesmo exemplo de desobediência (Hebreus 4.11)” 

 “depois disto dê frutos. Caso contrário, CORTÁ-LA-ÁS. (São Lucas 13, 9)”

Ora, só pode ser cortado aquilo que já esteve unido.

Perseverar é nos tornar firmes pela Graça de Deus, naquelas circunstâncias em que por nós mesmos seria impossível ou muito difícil persistir no Bem e nos hábitos da fidelidade e obediência:

“PERMANECEI EM MIM e eu PERMANECEREI EM VÓS. (Jo 15:4)”

“Sê FIEL ATÉ A MORTE e dar-te-ei a coroa da vida. (Apocalipse 3:10)”

Perseverar é na sua essência, a firmeza da razão e vontade produzida pela Graça.

Na intensidade da fé está a intensidade da perseverança; e na intensidade da perseverança é que fé e a santidade experimentam crescimento:

“Como crianças recém-nascidas desejai com ardor o LEITE ESPIRITUAL que vos fará CRESCER PARA A SALVAÇÃO. (I São Pedro 2, 2)”

“No, entanto, ela, dando à luz filhos, SERÁ SALVA DESDE QUE, com modéstia, PERSEVERE NA FÉ, no amor e na santificação. (1 Timóteo 2,15)”

Professar é exteriorizar o ato da fé.

Pela manifestação externa é que o ser humano obtém a vivência pela fé: 

 “O justo VIVERÁ PELA FÉ. (Romanos 1.17)”

Por isso, Deus instituiu as suas leis eternas e perfeitas.

No âmbito dessas leis é que são criadas condições virtuosas (fé, esperança e caridade)4 para que o sacrifício do Cordeiro de Deus nos alcance e guarde em todos os seus efeitos salvíficos:

“aquele que procura meditar com atenção a LEI PERFEITA da LIBERDADE E nela PERSEVERA, não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como CUMPRIDOR FIEL do preceito, este será feliz no seu proceder. (São Tiago 1, 25)” 

 “Mas PERSEVEROU FIRME no temor de Deus, e continuou a dar-lhe graças em todos os dias de sua vida. (Tobias 2, 14)” —“

Pela Graça, Deus não só cumpre todas essas condições, mas nos move a cumpri-las não por nossos méritos, mas pelos méritos Dele, compartilhados conosco.

Isto posto, conclui-se ser completamente falsa a assertiva de que não haveria necessidade da fé ser conservada.

 E se deve ser conservada é porque pode ser perdida:

“castigo o meu corpo e o MANTENHO EM SERVIDÃO, de medo de vir eu mesmo a SER EXCLUÍDO depois de eu ter pregado aos outros. (I Co 9, 27)”

“Enquanto, pois, subsiste a PROMESSA de entrar no seu descanso, tenhamos cuidado em que ninguém de nós corra o risco de SER EXCLUÍDO. (Hebreus 4, 1) “

Noutra mira, o que pode progredir pode regredir, como o que renasce na fé poderá novamente degenerar no pecado, e ser reconduzido à morte.

É o que prefigurou Cristo ao ressuscitar dos mortos Lázaro e outros.

A fé há de ser zelada, cuidada, alimentada e professada até os fim de nossos dias, pois as tentações serão constantes.

A FÉ É A LUZ que nos norteia até Cristo e a salvação, como ensinou o Mestre das Sentenças na metáfora das DEZ VIRGENS:

“Então o Reino dos céus será semelhante a dez virgens, que saíram com suas lâmpadas ao encontro do esposo. 2.Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes. 3.Tomando suas lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo. 4.As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas. 5.Tardando o esposo, cochilaram todas e adormeceram. 6.No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro. 7.E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas. 8.As tolas disseram às prudentes: Dai-nos de vosso óleo, porque nossas lâmpadas se estão apagando. 9.As prudentes responderam: Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós. 10.Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta.” (Mt 25)

Sem Deus, o homem não é capaz de conservar a fé, nem adquiri-la.

A fé que salva deve ser integra e completa.

O infiel é que traz a fé intelectiva, mas esta não é suficiente para mudar sua vontade, e voltá-lo à prática da santidade e o desprezo ao ato pecaminoso.

O incrédulo é não a tem, nem no intelecto, nem na vontade.

O incrédulo nega a verdade da fé; o infiel nega-lhe os efeitos práticos em sua vida.

Só o FIEL a tem no intelecto, na vontade e nas ações práticas.

Neste compasso, a Virtude da Perseverança e a possibilidade do fiel decair da Graça já eram ensinadas na IGREJA CATÓLICA, desde sua fase PRIMITIVA:

1) “Vós sois o sal da terra” (Mt 5,3), diz o Senhor, e ainda nos recomenda que sejamos simples pela inocência e prudentes na simplicidade [Mt 10,16]. Nada pois é mais importante para nós, irmãos diletíssimos, quanto VIGIAR com TODO O CUIDADO para descobrir logo e, ao mesmo tempo, compreender e EVITAR as CILADAS do inimigo traiçoeiro. Sem isso, embora sejamos revestidos de Cristo [Rom 13,14; Gál 3,27], que é a Sabedoria de Deus Pai [1Cor 1,24], nos mostraríamos menos sábios na DEFESA da SALVAÇÃO. (São Cipriano, Mártir e Bispo de Cartago, in DA UNIDADE DA IGREJA. Cap. I, ano +258)”

E ainda:

“A confissão da fé NÃO TORNA uma pessoa imune das ciladas do demônio. A quem ainda vive neste mundo, ela NÃO COMUNICA UMA PERPÉTUA SEGURANÇA contra as tentações, os perigos e o ímpeto dos ataques mundanos. Se assim fosse, não veríamos, em confessores, os roubos, os estupros e os adultérios, que agora, com imensa tristeza, devemos lamentar em alguns deles. (DA UNIDADE DA IGREJA. Cap. XX, ano +258)”

______________

  1. A confissão de fé protestante de Westminster, (1.643-1.649) e a chamada “Confissão da Fé Batista, de 1.689” dizem ser impossível o indivíduo decair da Graça, advogando a grave heresia da confissão positiva> uma vez salvo, sempre salvo, como se Deus estivesse obrigado a nos salvar, e como a salvação fosse um patrimônio pessoal, um direito indisponível do ser humano.
  2. O processo contínuo de aperfeiçoamento, realizado na Graça, que conduz o ser humano ao fim último que é a vida eterna com Deus, é o que chamamos SALVAÇÃO.
  3. Igreja é o Corpo de Cristo, a continuação histórica do Ministério de Cristo entre nós: “se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se RECUSAR OUVIR TAMBÉM A IGREJA, seja ele para ti como um pagão e um publicano. 18. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu.” (Mt 18) E ainda: “Àqueles A QUEM PERDOARDES OS PECADOS, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, SER-LHES-ÃO RETIDOS. (São João 20, 23)”
  4.   As chamadas VIRTUDES TEOLOGAIS.
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Parábola das Dez Virgens. (Evangelho de São Mateus, 25.1-12)

 

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