Mariologia

MARIA, MÃE DE JESUS, MÃE DE DEUS.

No processo natural por qual Deus escolheu nascer homem, o ato de conceber e gestar até o nascimento só se realiza através da MATERNIDADE. Embora não tenha deixado de ser Deus, Jesus fora gerado numa HUMANIDADE, razão porque era dispensável que sua mãe fosse “deusa.”

 

 

 

 

A Virgem é verdadeiramente Mãe de DEUS.

Não que a Pessoa Divina do Filho começasse existir a partir dela, mas porque seu Filho Divino, sem renunciar a Divindade, tomou nossa natureza humana, na qual também passou a existir.

Pela Encarnação do Verbo, Aquele que eternamente existe, começava existir numa natureza humana, a qual lhe tornava PESSOA HUMANA. E isso, sem anular ou se separar da sua Natureza Excelsa, na qual é eternamente PESSOA DIVINA:

“Nele habita CORPORALMENTE toda PLENITUDE da DIVINDADE.” (Colossenses 2.9)

Ora, pela perfeição da lei da criação, instituída pelo próprio Deus, existir numa HUMANIDADE implica ser concebido e gerado, vindo após, a nascer, sendo que no processo natural por qual Deus escolheu nascer homem, o ato de conceber e gestar até o nascimento só se realiza através da MATERNIDADE.

Pela natureza humana de Cristo, Deus experimentou nascer, embora existisse eternamente; experimentou ser gerado num ventre de Mulher, sendo Ele mesmo o Criador de todas as coisas; experimentou a morte, sendo Ele imortal, posto ser Ele a própria vida presente em todo universo.

Ensina São Tomás:

“… como no princípio mesmo da concepção, a natureza humana foi assumida pela Pessoa Divina, podemos afirmar que DEUS foi concebido e gerado pela Virgem, pois dissemos que uma mulher é Mãe quando concebe e gera. Só seria possível negar que a Santa Virgem foi MÃE DE DEUS, se disséssemos, como pretendia Fontino, que Cristo foi concebido e gerado, e só depois tornou-se Filho de Deus; ou segundo Nestório, que a humanidade não foi assumida pela Divindade. A Santa Virgem deve ser considerada MÃE DE DEUS, por ser a Mãe da PESSOA que traz em si as Naturezas Humana e Divina *sem separação*. (Suma Teológica, Q 35, art 4° Da Natividade de Cristo)

Ensinam também as Escrituras, que uma Virgem teria um Filho, e que esse Filho seria DEUS CONOSCO, DEUS no meio de nós, semelhante a nós:

“Eis que a Virgem CONCEBERÁ e DARÁ À LUZ um FILHO, que se CHAMARÁ Emanuel (Is 7, 14), que significa: DEUS CONOSCO. (São Mateus 1, 23)”

Somente não confessando que o próprio Deus é o EMANUEL, o CRISTO, que é DEUS CONOSCO, tendo sido gerado no sangue e carne puríssimos da Virgem, é que se pode negar que Maria seja legitimamente a MÃE DE DEUS.

Santa Isabel, ao receber em sua residencia a Virgem grávida, sob inspiração do Espírito Santo exclamou:

“Bendita és Tu, entre as mulheres, e Bendito é o Fruto do vosso ventre.  De onde me vem essa honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor? (São Lucas 1. 42 e 43)

O Senhorio que Santa Isabel mencionou está ligado à DIVINDADE, daquele que até então, habitava o Ventre de Maria, fazendo do mesmo o seu Santuário terrestre.

“Conforme ainda Santo Tomás:

“Cristo tem DUPLA NATUREZA; a que recebeu abeterno do Pai, e aquela que recebeu temporalmente da sua Mãe. Dizemos que nasceu carnalmente, porque por nosso amor, e para nossa salvação, uniu-se a um corpo verdadeiramente humano. (Suma Teológica, Q 35, art 2° Da Natividade de Cristo)

Embora não tenha deixado de ser Deus, Jesus fora gerado numa HUMANIDADE, razão porque não era preciso que sua mãe fosse “deusa.”

Um ser Divino não poderia nascer da natureza humana, salvo se também tomasse a natureza humana, e a mantivesse de maneira inseparável com a sua Natureza Divina.

E esse é o fundamento da ENCARNAÇÃO DO VERBO: DEUS FILHO toma para si a natureza humana de sua criatura, e através dela, realiza a obra sacrificial da salvação universal de toda humanidade.

A Virgem não gerou uma natureza, mas um ser completo, DIVINO e HUMANO.

Maria torna-se MÃE DE DEUS, por ser MÃE da Pessoa Divina, o Emanuel, que une num mesmo ser a Divindade e a Humanidade: — “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus E O VERBO ERA DEUS. E o Verbo SE FEZ CARNE, e habitou entre nós, e vimos sua Glória. (São João 1.1 e 14)”

Embora em Cristo hajam duas Naturezas, a DIVINA e a HUMANA, essas estão numa Única Pessoa. 

Ora, a natureza é apenas o componente essencial que dá origem ao ser, a qual o define em suas qualidades e no qual está contida, não sendo elemento autônomo que possa ser gerado sozinho, em separado.

Uma geratriz não gera uma natureza, mas um ser plenamente íntegro.

Ensinou Santo Agostinho: — “Tanto a substância1 Divina, como a substância Humana formam o Filho Único de Deus. Uma pelo Verbo, outra pelo Homem. (Suma Teológica Q2 art. 2º da Encarnação do Verbo)” 

Maria Santíssima não é Mãe da Natureza Humana, mas da Pessoa Completa do Cristo, que é Divino e Humano. 

Aceitar que pudesse ser mãe apenas de um “cristo carnal” separado do “cristo divino,” implicaria que a Trindade já não seria Três. 

Daí o Título de Teótokos2 conferido a Virgem, desde a Era Primitiva da Igreja.

Ensina Santo Tomás: 

“Se não se fez a União das Duas Naturezas, então não se fez a Pessoa do Filho. (Suma Q 31 art. 2º)”

“No Verbo Divino não é uma coisa a Pessoa, e outra a sua  Natureza. (Suma Teologica, Q 31 art. 4º do Verbo Encarnado)”

De certo que Maria não criou o Espírito Divino, como também as mulheres não criam o espírito nos filhos, e nem por isso deixam de ser mães legítimas dos seus rebentos.

Mães e pais não criam a alma, pois só geram, com a intervenção de Deus, o corpo. 

Maternidade está associada a natividade, não a criação completa do sujeito.

Nos seres vivos, existe a alma espiritual e a matéria biológica na qual o corpo se forma.

Desses, apenas a matéria incumbe ser participada aos progenitores, posto a alma ser criação exclusiva de Deus. 

Logo, geramos filhos por natividade.3

Sem o espírito ou alma espiritual criada por Deus, infusa desde a concepção dos sêmens masculino e feminino, geraríamos apenas fetos cadáveres, e nada mais.

Usurpar o Título de Mãe de Deus da Virgem Maria, como queria Nestório4 por ela não ter gerado a Natureza Divina do Cristo, teríamos então que tirar o título de mãe de todas as mulheres, pois delas não proveio a natureza espiritual dos filhos.

A Virgem não é, como defendiam nestorianos e fontinistas,5 apenas a progenitora da “natureza carnal” pois a natividade do Cristo reúne em uma Pessoa, as Naturezas Divina e Humana formando em Unicidade (Hipóstase), o Ser Completo.

Daí os dizeres de São Cirilo, Patriarca de Alexandria: — “HÁ UM SÓ CRISTO, feito pela União das Naturezas Divina e Humana.” (Quinto Sínodo, anos 300, p.12, 4; Migne, PL 50, 467).

Da mesma maneira é a hipóstase humana que une corpo e espírito para formar o indivíduo, vez que o homem sem corpo é espírito; e corpo sem alma é cadáver.

Como disse São Damasceno: — “A natividade é da hipóstase do ser, e não da sua natureza.”

Assim, a SANTÍSSIMA VIRGEM é a MÃE LEGÍTIMA de CRISTO, e por isso, MÃE DE DEUS, posto que lhe concedida a Graça Maior de nela conceber e gerar a Pessoa Divina, o Cristo, o Emanuel, que reúne em si, inseparavelmente, a Humanidade e a Divindade.

Não é possível gerar natureza, pois esta é a origem, o princípio do ser nascido, e não o ser efetivamente.

Toda pessoa é uma hipóstase, isto é, a união inseparável e harmônica de todos os seus elementos.

Isto significa que a existência de um sujeito só se faz de modo unitivo, ao passo que a natureza é apenas sua origem, aquilo lhe empresta a forma e identidade no mundo físico. 

Como disse Santo Tomás de Aquino: — “Por isso, a natividade é própria da Pessoa, do sujeito que nasce, e não de sua natureza. ( Q. 35 art. 2º da Natividade do Cristo)”

Natividade ou nascimento é o movimento do ser sendo gerado e expelido de uma determinada NATUREZA, a qual é responsável por lhe dar determinada forma e essência.

 

____________________

1) No conceito aristotélico é toda matéria individual ou genérica, heterogenia ou homogenia do qual se possa dar uma forma, e do qual se forma um ser.

2)(Θεοτόκος: Théos = Deus + Tókos = Mãe, Portadora ou Geratriz) é um Título Sarcedotal  conferido a Santíssima desde século I.

3) Natividade ou ato final do processo de geração (nascimento)

4) Promoveu grande divisão na Igreja, (cisma nestoriano). Vencido no Concílio de Éfeso (431 DC) fora excluído do Clero por heresia. Defendia que Maria não podia ser a MÃE DE DEUS, pois  “cristo homem” não tinha a Natureza Divina do Pai. (Epístola aos Monges do Egito, Patrologia Graeca 77:13B) Funda sua seita, a “igreja” Assíria do Oriente, que após 1.700, anos retorna a Comunhão com a Sé Romana, abandonando as doutrinas do seu antigo fundador, tornando-se a Igreja Católica da Caldeia.

5) Seitas do século III, que negavam a união das duas Naturezas, num único ser em Cristo, negando a maternidade Mariana, angelicalmente proclamada nas Escrituras: “um ANJO do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o Menino E SUA MÃE e foge (S. Mateus 2, 13)”

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