Mariologia

POR QUE CONVINHA A CRISTO UMA MÃE SEM PECADOS?

Se o pecado da Mãe não poderia ser transmitido, também não poderia ser recebido por ela.

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Existem dois princípios na obra da concepção de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, o Deus feito homem.

O princípio ATIVO do qual provém sua DIVINDADE; e o PASSIVO do qual advém sua HUMANIDADE.

O princípio ativo tem como agente a PESSOA do ESPÍRITO SANTO, que é DEUS, e que para conceber e gerar o Verbo Encarnado, que também é DEUS,1 unira-se a humanidade da Mulher, tomando dela o seu corpo e sua carne2 como receptáculos, tornando esta, a paciente sobre a qual atuaria.

O agente ativo é o que semeia, sendo o passivo o que sofre a ação do semeador.  Conclui-se que o que o Espírito Santo semeou na carne da Virgem, e se tem como o seu fruto, é o próprio Deus tornado homem:

“Eis que uma Virgem CONCEBERÁ, e dará a luz a UM FILHO que se chamara Emanuel, que significa DEUS CONOSCO.” (Mt 1.23)

O que nasce de Maria é UM FILHO,3 e esse Filho É DEUS, é Deus CONOSCO, Deus Encarnado Homem, do que se conclui sem muito esforço ser a Santíssima Virgem, a Mãe de Deus, pelo Filho Divino tornado humano em seu ventre.

Dissertam as Escrituras:

“E eis que EM TEU VENTRE CONCEBERÁS e DARÁS À LUZ um FILHO,4 e pôr-lhe-ás o nome de JESUS. […] Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? E, respondendo o anjo, disse-lhe: DESCERÁ sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo TE COBRIRÁ com a sua sombra; pelo que também o Santo, que DE TI HÁ DE NASCER,5 será chamado Filho de Deus.” (Lc 1. 25, 34 e 36)

O Espírito Divino é a causa eficiente da concepção, formando exclusivamente do material biológico que apreendeu da Virgem, aquele que nascera Deus e Homem, sendo Filho de Deus por Natureza Divina, e Filho do Homem por Natureza Humana.

Sobre a união em hipóstase6 das duas Naturezas em Cristo, formando uma ÚNICA Pessoa, ensinou Santo Tomás de Aquino:

“[….] sua natureza (humana) foi tão perfeitamente unida ao Verbo de Deus na unidade de Pessoa, que o Filho do homem foi o mesmo que o Filho de Deus. (Suma Teológica, Q 32, art. 1 Livro IIIa. Do Verbo Encarnado)”

A Humanidade foi assumida numa UNIDADE perfeita e inseparável com a Divindade, numa Única Pessoa, razão porque, se diz de Cristo como o Filho de Deus e Filho do Homem (Filho gerado numa Humanidade):

“E dizia-lhes: O FILHO DO HOMEM é Senhor até do sábado.” (Lc 6.5) “Assim será no dia em que o FILHO DO HOMEM se há de manifestar.” (Lc 17.30) “Porque o FILHO DO HOMEM veio salvar o que se tinha perdido.” (Mt. 18.11) “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o FILHO DE DEUS não tem a vida.” (I Jo 5, 12) “Tu és o Cristo, o FILHO DE DEUS vivo. (Mt 16. 13 à 19)”

Mas sendo o Espírito Santo uma das PESSOAS DIVINAS da Trindade, jamais entraria em consórcio com uma mulher, tomando dela o material biológico para gerar a Pessoa Divina do Filho se não fosse essa Mulher PURA e ISENTA previamente de todo pecado, e de todo mal. Ora, a teoria que DEUS, pelo ESPÍRITO SANTO, pudesse ter entrado em comunhão com uma pecadora, sem isentá-la anteriormente dessa condição, é admitir que a Luz pudesse ter tido alguma relação promíscua com as trevas, manchando o Bem com o mal, e assim, toda Dignidade do Verbo Encarnado.

A concepção de Cristo se realizou pela UNIÃO entre a Mulher e o Espírito Divino, logicamente porque nem a Mulher, nem o Espírito Santo conceberam sozinhos, senão em consórcio unitivo:

“[…] o Espírito Santo DESCERÁ SOBRE TI.” (Lc 25, 34 e 35)

Que comunhão harmônica e fraterna poderia haver entre Deus, na Pessoa do Espírito Santo, e uma escrava do pecado mantida nesta condição?

QUE UNIÃO HÁ entre a Justiça e a Iniquidade? LUZ e TREVAS? E que parte tem o fiel com o infiel? (II Cor 6, 14)”

“Quem DO IMUNDO TIRARÁ O PURO? Ninguém!” (Jó 14.4)

São Tiago ensinou que qualquer amizade com o pecado, equivaleria a inimizade contra Deus:

“[…] não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer um que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus.” (Tg 4.4)

Ora, o Espírito Santo é DEUS, e DEUS não é inimigo de si mesmo, razão porque, não poderia na concepção do Cristo interagir em harmonia com a carne pecadora da Mulher, e daí, o pecado dessa Mulher e a Santidade plena do Espírito Santo atuarem juntos na concepção do Verbo, pois “não podeis servir a Deus e a mamon.” (Mt 6.24)

O pecado original que é o contágio de todo ser humano com a maldade em razão da ausência de comunhão com Deus, é transmitido aos filhos pela mães. Desse pecado, lhes advém por herança todos os defeitos, imperfeições e vícios de atos e hábitos adquiridos da natureza pecaminosa:

“Que é o homem para que seja puro? E o que NASCE DA MULHER para que fique justo? (Jó 15.14)”

“Eis que em INIQUIDADE FUI FORMADO, e em PECADO ME CONCEBEU MINHA MÃE. (Salmo 51.5)”

“Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e COMO SERIA PURO AQUELE QUE NASCE DA MULHER? (Jó 25. 4 e 6)”

Convinha então, que APENAS na Maria Santíssima, o ciclo familiar da transmissão da natureza pecaminosa fosse interrompido por causa do Cristo.  E o modo conveniente para essa interrupção, foi antecipar a salvação7 daquela que fora incumbida de gerar em si o Verbo Encarnado,  para que a Humanidade do Filho Divino não ficasse exposta ao pecado herdado de sua mãe.

Ora, se o pecado da Mãe não podia ser transmitido, também não poderia ser recebido por ela. Maria então, foi o escudo que Deus criou, e usou para proteger e manter incólume a Humanidade do Filho, conforme as Escrituras:

“Até quando andarás errante, ó filha rebelde?8 Porque o SENHOR criou UMA COISA NOVA sobre a terraUMA MULHER PROTEGE A UM VARÃO.” (Jeremias 31.22)

Essa profecia dirigia-se à cidade de Jerusalém, dita como filha rebelde, cujo pecado da idolatria a tornou a GRANDE MERETRIZ, a traidora de Deus (Ap. 19.2). Mas esse contexto profético também traz outra importante revelação Divina inserida numa surpreendente inversão de paradigmas.

Anunciava-se que uma MULHER protegeria, cercaria9 um certo VARÃO.

Na cultural hebraica, as mulheres pertenciam a classe inferior, submissas e sempre dependentes de um homem, fosse o pai ou marido.

Noutra mira, varão era o guerreiro forte, e enquanto classe superior, era o protetor natural e legal da mulher.

Mas o que Deus demonstra na profecia é que a MULHER protegeria o VARÃO. O mais fraco, portanto, cercaria e serviria como escudo para o mais forteE se diz ainda, que essa MULHER seria uma COISA NOVA de DEUS na terra.

O ineditismo dessa Mulher, implicaria que não haveria outra idêntica ou semelhante. Mas em que consistia a novidade? E por quê?  Como se daria essa proteção?

É dito do livro do Gênesis, que Deus criaria uma certa Mulher, e entre ela e a serpente, o diabo, o próprio Deus colocaria INIMIZADE: “Porei ÓDIO10 ENTRE TI e a MULHER, entre a tua descendência E A DELA. ESTA te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gn 3. 15)”

A palavra ódio no hebraico antigo é za-a-ká e na tradução da septuaginta do grego koiné é meson.

Numa ou noutra fonte idiomática, significa INIMIZADE CAPITAL, ausência completa de afeição, LIGAÇÃO e harmonia que IMPEDE CONTATO, proximidade e comunhão entre indivíduos. Exprime a existência de entes completamente DESLIGADOS, separados por abismo ou obstáculo intransponível que impede o acesso de um ao outro. 

A Mulher do Gênesis é a COISA NOVA NA TERRA (Jr 31.22), cuja peculiaridade é que fora formada sem pecado, sem o concurso da maldade, sendo que o domínio da antiga serpente não recaiu sobre ela.

Noutra profecia é dita da condição dessa Mulher:

“De longe me aparecia o Senhor: AMO-TE COM AMOR ETERNO, E POR ISSO A TI ESTENDI O MEU FAVOR. RECONSTRUIR-TE-EI, E SERÁS RESTAURADA, Ó VIRGEM DE ISRAEL!11 Virás, ornada de tamborins participar de alegres danças. (Jeremias 31. 3 e 4)”12

Em hebraico, estendi (maw-shac) significa ser arrastado para bem longe, esticado por algo especial. 

Favor fora traduzido de cha-sad, que é benignidade, graça completa, préstimo ou pureza extrema. 

Temos daí, na junção dessas duas palavras (maw-shac + cha-sad), um favor PLENO ou GRAÇA PLENA que é a condição sobrenatural apenas DESSA VIRGEM. 

A expressão “serás restaurada” nitidamente expõe que a Virgem de Israel profetizada, teria os favores plenos de Deus desde o início da sua existência. Ora, restaurar é voltar ao que era antes no princípio. E tudo no princípio era santo e puro.

Ainda sobre a pureza da Virgem profetizada em Jeremias 31. 3 e 4, reportamos a saudação angelical à Virgem Maria, quando da anunciação:

“ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR É CONVOSCO!” (S. Lucas 1, 28)

Notadamente CHEIA DE GRAÇA (gratia plena) se origina do grego kekaritomene:

“28 kai eiselqwn o aggeloV proV authn eipen caire kecaritwmenh(κεχαριτωμένη) o kurioV meta sou euloghmenh su en gunaixin

Kekaritomene é um hibridismo (palavra composta) que possui um núcleo verbal ou radical (charitó); prefixo (ke) e sufixo (mene), formando um termo único e inédito nas Escrituras, só usado para a Virgem Mãe, qual seja: ke + charitó + mene = (ke)karito(mene).

Charitó (χαριτόω) indica uma graça totalmente preenchida, PLENA em quantitativo  e intensidade. Tanto, que é a expressão usada pelos hagiógrafos para definir a natureza da Graça em Cristo.13 Sendo Cristo eterno e incriado, a Graça Plena está Nele de maneira eterna e incriada, em sua essência, sendo Ele a própria Graça Personificada.

Já a graça plena aplicada numa criatura que não detém em si a eterna, senão apenas por participação na comunhão com a Divindade, haveria de se estabelecer o termo inicial para o ato Divino de agraciar. Por isso, para distinguir a plenitude da Graça Mariana em relação a Graça SUPERIOR de Cristo, delimitou-se no tempo o favor recebido pela Virgem.

O prefixo “ke”conduz o tempo do verbo para o particípio pretérito, indicando que a ação de agraciar a Virgem já tinha sido completada no passado mais remoto, ou seja, desde sua origem, sendo a origem do ser sua concepção: 

“ido(a) ou ado(a)” – agraciar/ agraciado.

Já o sufixo “menh” indica que aquela que fora agraciada no passado, assim continuaria permanentemente.

Se o prefixo ke retrocedeu a graça mariana até sua origem, a palavra menh (men-e/μενη) proclama sua conservação e permanência definitiva, demonstrando assim, uma ação de Deus sobre Maria de maneira contínua, e num futuro inalterável.

O radical ou núcleo verbal da frase (charitós) significa GRAÇA INTENSA e SUPERABUNDANTE, sendo o termo utilizado para expressar a Graça da nossa salvação que está em Cristo:

“Para louvor e glória de SUA GRAÇA, com a qual ELE nos agraciou no amado”.(Efésios 1.6)

eiV epainon doxhV thV CARITOV (χάριτος) autou en h ecaritwsen hmaV en tw hgaphmenw

Somando o prefixo, o sufixo e o radical, temos a expressão GRAÇA COMPLETA ou PLENA desde a origem do ser agraciado, no caso Maria, que é a data de sua concepção, e sendo ainda conservada permanentemente para que nunca esgote.

É evidente que a COISA NOVA NA TERRA (Jeremias 31.22), criada por Deus para proteger o Guerreiro, tem na pessoa da Virgem Mãe seu enigma revelado.

Maria não entendeu, na saudação, as palavras do anjo, pois não tinha consciência, até então, do ineditismo e excepcionalidade de sua condição diante de Deus:

Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela COM ESTAS PALAVRAS e pôs-se a PENSAR NO QUE SIGNIFICARIA SEMELHANTE SAUDAÇÃO.” (Lc 1. 28 e 29)

A finalidade da proteção da Mulher ao varão, conforme instituído por Deus, não é de difícil compreensão.

Todos os que tomam a carne ancestral de Adão estão submissos ao pecado original e a maldade desde a concepção, o que lhes fará obrar de modo desordenado ao tempo da razão e arbítrio mediante o pecado venial.14 Sendo Cristo plenamente homem, e tomando em sua Encarnação a carne da natureza adâmica, seria correto afirmar que também Ele, em SUA HUMANIDADE, ficaria à mercê do pecado nesta regra geral e universal.

Mas para concordar com a teoria de todos os gnósticos e cismáticos que afirmam, e ensinam que Cristo fora concebido em carne pecadora, mas sem se macular por estar “unido” à Divindade, era necessário que antes da concepção de Cristo,  sua Divindade já estivesse no útero da Virgem para que assim, pudesse previamente isentar de todo pecado a carne da humanidade a ser tomadaOcorre que na assunção das partes do Verbo Encarnado, É A HUMANIDADE a PRIMEIRA a SER FORMADA, para só depois a Divindade Encarnar na humanidade já concebida, como testificou São Paulo sobre a antropologia humana:

“[…] Se há um corpo animal, também há um espiritual.” (I Cor 15,44)

“Mas NÃO É O ESPIRITUAL QUE VEM PRIMEIRO, E SIM O ANIMAL;15 o espiritual vem depois.” (I Cor 15, 46)

No útero da virgem, não veio primeiro a Divindade, mas a humanidade do Cristo na qual depois, a Divindade se encarna.

Foi a Divindade que assumiu a Carne que já havia, e não a Carne que assumiu a Divindade.

Vindo primeiro o animal, é fato que antes do Verbo Encarnar poderia sua humanidade, já formada da carne de Maria, receber a natureza pecaminosa de sua genitora. Para evitar essa consequência, é que não convinha ao Verbo uma Mãe pecadora, pois receberia dela a herança ancestral do pecado adâmico, antes que sua Humanidade fosse definitivamente assumida pela Divindade.

https://magisteriotradicaoescrituras.com/2018/11/22/apenas-o-batismo-nos-livra-do-pecado-original/

Ensinou também Santo Tomás:

“[…] a carne não deveria ser assumida pelo Verbo ANTES DE SER CARNE humana. (Suma Teológica, art. 4, Da Assunção das Partes)”

E também os primeiros discípulos dos Apóstolos, como Santo Atanásio:

É O CORPO da VIRGEM que o PROTEGE, onde Ele fez o seu SANTUÁRIO; na Virgem Ele edificou um CORPO SANTO, e dele se apropriou, e fê-lo instrumento para nos dar.” (Da Encarnação do Verbo, anos 296 à 373, in Atanasius, ano p. 80 par. 18 Cap.)

Santuário é local feito imaculado para que Deus nele habitasse.

Ora, se os santuários feito pelas mãos dos judeus tinham de ser puros, dirá o SANTUÁRIO onde o VERBO HABITARIA e Encarnaria.

Porquanto é certo que o ventre de Maria, por ser a PORTA aberta para que Deus entrasse na terra, tornou-se extensão do próprio Santuário Celestial, Santuário perfeito, não confeccionado por mãos humanas, como reconheceu o apóstolo São Paulo, na Carta aos hebreus, e também o profeta Jeremias (Jeremias 44. 1 e 2):

“Ele reconduziu-me ao PÓRTICO EXTERIOR DO SANTUÁRIO, que fica FRONTEIRO AO ORIENTE, o qual se achava fechado. 2. O SENHOR DISSE-ME: ESTE PÓRTICO FICARÁ FECHADO. NINGUÉM O ABRIRÁ, NINGUÉM AÍ PASSARÁ, PORQUE O SENHOR, DEUS DE ISRAEL, AÍ PASSOU; ELE PERMANECERÁ FECHADO.”

Sobre isso, encerra Santo Agostinho:

“Quem é esse PORTÃO FECHADO (Ez 44. 1-4) se não for MARIA? (in Tratando sobre a Santa Virgindade, IV)”

“REVERENCIAREIS O MEU SANTUÁRIO. Eu sou o Senhor.” (Levítico 26, 2)

Admitida a ridícula hipótese na qual o Logos Divino já estaria no ventre da Virgem antes da sua humanidade restar concebida (sic), para assim, impedir o pecado em Cristo pela carne que lhe veio da sua Mãe, tal implicaria que Ele também precisou remover o pecado de si mesmo.

Seria motivo de deboche no inferno um “salvador” que precisou “ser salvo”.

Excluindo todas essas teorias heréticas e malucas, resta claro nas Escrituras, é que lhe fora dado uma Mãe, uma Mulher Santíssima como escudo, cerco que impediu que a Humanidade, ANTES DE SE UNIR A DIVINDADE, recebesse o pecado, pois “é o animal que vem primeiro; o espiritual vem depois.”

Todavia, acusam ainda os protestantes que, para aceitar a imaculação em Maria, teria que se aceitar que também os seus pais, e sucessivamente, todos os  seus ancestrais tivessem sido imaculados.

Tal afirmação é pueril.

Se o pecado é transmitido apenas pelas mães aos filhos (Salmo 51,5), de certo que para cessar a possibilidade dessa transmissão, bastaria ao Filho que a carne de sua Mãe restasse isenta da condição pecaminosa. Aquela que não poderia transmitir o pecado, é aquela que também não poderia recebê-lo.

Cristo não recebeu nada dos avós carnais, nem da parentela da Santíssima, senão diretamente da Virgem. Além disso, não concebem intelectualmente os cismáticos, autointitulados “reformadores,” que a pureza de Maria decorreu de ato de salvação e intervenção Divina; enquanto a Pureza de Cristo decorre de ato de Poder Soberano.

Maria não foi pura por sua própria essência ou mérito, mas purificada porque tinha recebido de sua mãe, a condição de sujeita ao pecado, a qual lhe fora retirada porque não poderia retransmitir essa condição ao Filho Divino, pois a Humanidade Dele ainda não estava UNIDA à Divindade.

Sujeição ou conditio reator é a possibilidade de vir a pecar, que em Maria foi retirada, e na Humanidade de Jesus jamais existiu, porque o processo de transmissão maternal do pecado em sua Mãe restou cessado.

Ensina Santo Tomás:

A Santa Virgem foi purificada, no ventre materno, do pecado original, quanto à mácula pessoal; mas não ficou isenta do reato, a que toda natureza estava sujeita, não podendo por isso entrar no paraíso, senão mediante o sacrifício de Cristo; como também se deu com os santos Patriarcas que existiram antes de Cristo.” (Suma Teológica Q 27, art 1º – Da Santificação da Virgem, in Santo Tomás de Aquino)

Não por outra razão, a Igreja jamais afirmou que Maria não tenha sido salva. 

Afirmou sim, que sua salvação, assim como sua Maternidade, obrou-se de maneira EXTRAORDINÁRIA.

Por isso, o Magnificat: “ Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, MEU SALVADOR.” (Lc 1. 46 e 47)

Por isso, é nossa obrigação honrá-la e venerá-la por todas as gerações, e não como fazem os heréticos, tentando imputar mácula naquilo que Deus fez santo:

“Porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me PROCLAMARÃO BEM-AVENTURADA TODAS AS GERAÇÕES.” (Lc 1. 48)

_____________

  1. https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com.br/2017/07/a-santissima-trindade-na-tradicao-e-nas_9.html?q=trindade
  2. Os patriarcas; deles DESCENDE CRISTO, segundo a CARNE,o qual é, sobre todas as coisas, DEUS Bendito para sempre. (Rm 9. 5)” “JESUS CRISTO, Nosso Senhor, descendente de Davi quanto à CARNE, (Rm 1. 3)” “veio socorro, não dos anjos, E SIM DA RAÇA DE ABRAÃO. (Hb 2, 16)”
  3. O PROTESTANTISMO é o responsável pelo ressurgimento das antigas heresias cristológicas, dentre elas, a chamada HERESIA NESTORIANA (Concílio de Éfeso, ano 431), pois para negar que Maria seja Mãe de Deus através de Cristo, apelam à falaciosa teoria de que existem dois Cristo, Divino e Humano, e não uma Pessoa Divina do Filho, que possui duas Naturezas, a Divina e a Humana.
  4. As Escrituras, portanto, proclamam a MATERNIDADE DIVINA em Maria.
  5. Santo que há de nascer de ti.” SANTO é atributo que predica DEUS, não predica homens, senão apenas por participação em Deus (Não há ninguém Santo como o SENHOR; não existe outro além de ti.II Sm 2.2), demonstrando que o que Maria gera não é simplesmente homem, mas Deus Encarnado homem.
  6. Conforme ensina a Tradição e o Magistério Infalível da Igreja, união hipostática é quando se está unido, sem confusão e sem divisão dos elementos.
  7. Tal como a salvação dos profetas, mártires e heróis da fé que morreram antes do sacrifício de Cristo, Maria Santíssima é também salva pelo efeito prévio do Sacrifício de Jesus, que por ter efeito eterno, que retroage ao princípio dos tempos. Maria, entretanto, é salva antecipadamente, antes que o contato com o pecado lhe produzisse atos de pecado. Deus em sua Onipotência, governa o tempo (cronnos), estando em seu domínio o passado, presente e o futuro, podendo tanto salvar pela redenção consumada (tirando os efeitos do pecado cometido); ou salvando pela precedente (impedindo o pecado de se realizar), porque Ele é o ALFA e o OMEGA, início (passado) e o fim (futuro), estando no passado, no presente e no futuro.
  8. Nas profecias de Jeremias, a cidade de Jerusalém, outrora santa, é sempre retratada como traidora, a FILHA REBELDE, FILHA DA PROSTITUIÇÃO: “Viste o que fez a REBELDE ISRAEL?Ela foi a todo o monte alto, e debaixo de toda a árvore verde, e ali andou se prostituindo.(Jr3.6); Já vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, JERUSALÉM! Até quando ainda não te purificarás? (Jr1 3.27) Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó SENHOR, age por amor do teu nome; porque as rebeldias se multiplicaram.(Jr 14.7)
  9. No hebraico protegerá, cercará (sowe-beb) formará em torno do homem barreira intransponível.  http://biblehub.com/hebrew/tesoev_5437.htm
  10. http://biblehub.com/lexicon/genesis/3-15.htm
  11. Nas profecias de Jeremias, a cidade de Jerusalém é a prostituta. Refere-se a profecia, tanto a Virgem de Israel enquanto corrompida (Jerusalém), quanto a Virgem de Israel enquanto mantida imaculada (Virgem Maria)
  12. http://biblehub.com/lexicon/jeremiah/31-3.htm
  13. Efésios 1.16.
  14. Pecados pessoais, cometidos em razão do uso desordenado da liberdade humana.
  15. Tal como o primeiro Adão, cuja criação em partes, precedeu a matéria ou corpo, e só depois lhe foi soprado o espírito, também o Novo Adão, Cristo, é formado primeiro na matéria da sua Humanidade, para só depois ser nesta Humanidade depositado o Logos.

7 comentários

  1. EXCELENTE EXPLICAÇÃO . PENSO TAMBÉM QUER PARA VENCER O PECADO E A MORTE ,SERIA NECESSÁRIO,UM HOMEM LIVRE DE TODA MANCHA DE PECADO . POR ISSO DEUS SE ENCARNOU PARA SER ESTE HOMEM E VENCER NOSSO PECADO .LOGO , PARA NÃO SER CONTAMINADO PELO PECADO ORIGINAL , SUA MÃE TAMBÉM TERIA QUE SER ISENTA DO PECADO ORIGINAL , JÁ PELOS MÉRITOS DE SEU FILHO JESUS .MARIA TAMBÉM RECEBEU NO ATO DE SUA CONCEPÇÃO , O DOM DA DIVINA VONTADE , O DOM INFUSO DA PLENA CONSCIÊNCIA DA DESOBEDIÊNCIA DE NOSSOS PRIMEIROS PAIS . PERFEITO PLANO DE DEUS .

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