Mariologia

POR QUE CONVINHA A CRISTO UMA MÃE SEM PECADOS?

Se o pecado da Mãe não poderia ser transmitido, então também não poderia ser recebido por ela.

Existem dois princípios na obra da Concepção de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, o Deus feito homem.

O princípio ATIVO do qual provém sua DIVINDADE; e o PASSIVO do qual advém sua HUMANIDADE.

O princípio ativo tem como agente, a PESSOA do ESPÍRITO SANTO, que é DEUS, e que para conceber e gerar o Verbo Encarnado que também é DEUS,1 unira-se a humanidade da Mulher, tomando dela o seu corpo e carne2 como receptáculos, tornando esta, a paciente sobre a qual atuaria.

O agente ativo é o que semeia, sendo o passivo o que sofre a ação do semeador, vindo a produzir em si o que fora semeado.

Logo, o que o Espírito Santo semeou na carne da Virgem e se tem como o seu fruto é o próprio Deus tornado homem: “Eis que uma Virgem CONCEBERÁ, e dará a luz a UM FILHO que se chamara Emanuel, que significa DEUS CONOSCO.” (Mt 1.23)

O que nasce de Maria é UM FILHO,3 e esse Filho É DEUS, é Deus CONOSCO, Deus Encarnado Homem, do que se conclui sem muito esforço ser a Santíssima Virgem, a Mãe de Deus, pelo Filho Divino tornado homem em seu ventre.

Dissertam as Escrituras:

“E eis que EM TEU VENTRE CONCEBERÁS e DARÁS À LUZ um FILHO,4 e pôr-lhe-ás o nome de JESUS. […] Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? E, respondendo o anjo, disse-lhe: DESCERÁ sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo TE COBRIRÁ com a sua sombra; pelo que também o Santo, que DE TI HÁ DE NASCER,5 será chamado Filho de Deus.” (Lc 1. 25, 34 e 36)

O Espírito Divino é a causa eficiente da concepção, formando exclusivamente do material biológico que apreendeu da Virgem aquele que nascera Deus e Homem, sendo Filho de Deus por Natureza Divina e Filho do Homem por Natureza Humana.

Sobre a união em hipóstase6 das duas Naturezas em Cristo formando uma ÚNICA Pessoa, ensina Santo Tomás de Aquino:

“sua natureza (humana) foi tão perfeitamente unida ao Verbo de Deus na unidade de Pessoa, que o Filho do homem foi o mesmo que o Filho de Deus. (Suma Teológica, Q 32, art. 1 Livro IIIa, do Verbo Encarnado)”

A Humanidade foi assumida numa UNIDADE perfeita e inseparável com a Divindade, numa Única Pessoa, razão porque, se diz de Cristo como o Filho de Deus e Filho do Homem (Filho gerado numa Humanidade):

“E dizia-lhes: O FILHO DO HOMEM é Senhor até do sábado.” (Lc 6.5)

“Assim será no dia em que o FILHO DO HOMEM se há de manifestar.” (Lc 17.30)

“Porque o FILHO DO HOMEM veio salvar o que se tinha perdido.” (Mt. 18.11)

“Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o FILHO DE DEUS não tem a vida.” (I Jo 5, 12)

“Tu és o Cristo, o FILHO DE DEUS vivo. (Mt 16. 13 à 19)”

Mas sendo o Espírito Santo uma das PESSOAS DIVINAS da Trindade, jamais entraria em consórcio com uma mulher, tomando dela o material biológico para gerar a Pessoa Divina do Filho se não fosse essa Mulher PURA e ISENTADA previamente de todo pecado, e todo mal.

Ora, a remotíssima e tresloucada teoria que DEUS, pelo ESPÍRITO SANTO possa ter entrado em comunhão com uma pecadora sem isentá-la anteriormente dessa condição, é admitir a que a Luz possa ter uma relação promíscua com as trevas, manchando o Bem com o mal, e assim a Dignidade do Verbo Encarnado.

A concepção de Cristo se realizou pela UNIÃO entre a Mulher e o Espírito Divino, logicamente porque nem a Mulher, nem o Espírito Santo conceberam sozinhos, senão em consórcio unitivo:

“o Espírito Santo DESCERÁ SOBRE TI.” (Lc 25, 34 e 35)

Que comunhão harmônica e fraterna poderia haver entre Deus, na Pessoa doEspírito Santo, e uma escrava do pecado, mantida nesta condição?

“QUE UNIÃO HÁ entre a Justiça e a Iniquidade? LUZ e TREVAS? E que parte tem o fiel com o infiel? (II Cor 6, 14)

“Quem DO IMUNDO TIRARÁ O PURO? Ninguém! (Jó 14.4)”

São Tiago ministrou que qualquer amizade com o pecado equivale a inimizade contra Deus: “não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer um que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus. (Tg 4.4)”

Ora, o Espírito Santo é DEUS, e DEUS não é inimigo de si mesmo, razão porque não poderia na concepção do Cristo, interagir em harmonia com a carne pecadora, e o pecado dessa mulher e a santidade plena do Espírito Santo atuarem juntos na concepção do Verbo, pois “não podeis servir a Deus e a mamon. (Mt 6.24)”

O pecado original, que é a sujeição de todo ser humano ao delito e a maldade, é transmitido aos filhos pela mães, e desse pecado lhes advém por herança todos os defeitos, imperfeições e vícios de atos e hábitos adquiridos da natureza pecaminosa:

“Que é o homem para que seja puro? E o que NASCE DA MULHER para que fique justo? (Jó 15.14)”

“Eis que em INIQUIDADE FUI FORMADO, e em PECADO ME CONCEBEU MINHA MÃE. (Salmo 51.5)”

“Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e COMO SERIA PURO AQUELE QUE NASCE DA MULHER? (Jó 25. 4 e 6)”

Convinha então, que APENAS em Maria Santíssima o ciclo da transmissão da natureza pecaminosa fosse interrompido por causa do Cristo. E o modo conveniente da interrupção foi salvar antecipadamente7 aquela incumbida de gerar em si o Verbo Encarnado, para que a Humanidade do Filho Divino não ficasse exposta ao pecado.

Ora, se o pecado da Mãe não poderia ser transmitido, então também não poderia ser recebido por ela.

Maria foi o escudo que Deus criou, e usou para proteger e manter incólume a Humanidade do Filho, conforme as Escrituras:

“Até quando andarás errante, ó filha rebelde?8 Porque o SENHOR criou UMA COISA NOVA sobre a terra; UMA MULHER PROTEGE A UM VARÃO. (Jeremias31.22)

Essa profecia fora dirigia à cidade de Jerusalém, dita como filha rebelde, cujo pecado da idolatria a tornou a GRANDE METRIZ, a traidora de Deus. (Ap. 19.2)

Mas a profecia ainda traz outra importante revelação Divina, inserta numa surpreendente inversão de paradigmas.

Anunciava-se que uma MULHER protegeria, cercaria9 um VARÃO.

Na cultural hebraica, as mulheres pertenciam a classe inferior, submissas e sempre dependentes de um homem, fosse pai ou marido.

Noutra mira, varão era o guerreiro forte, e enquanto classe superior era o protetor natural e legal da mulher.

Mas o que Deus demonstra na profecia é que a MULHER protegeria o VARÃO.

O mais fraco, portanto, cercaria e serviria como escudo para o Mais Forte.

E diz ainda que essa MULHER seria uma COISA NOVA, uma novel criação de DEUS na terra.

O ineditismo da mulher implica que não houve, nem haverá outra idêntica ou semelhante.

Mas em que consistia a novidade?

Por quê?

E como se daria essa proteção?

É dito do Livro do Gênesis que Deus criaria uma Mulher, e entre ela e a serpente, o diabo, o próprio Deus colocaria INIMIZADE:

“Porei ÓDIO10 ENTRE TI e a MULHER, entre a tua descendência E A DELA. ESTA te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gn 3. 15)”

A palavra ódio no hebraico antigo é za-a-ká, e na tradução da septuaginta do grego koiné é meson.

Numa ou noutra fonte idiomática, significa INIMIZADE CAPITAL, ausência completa de afeição, LIGAÇÃO e harmonia que IMPEDE CONTATO, proximidade e comunhão entre indivíduos. Exprime a existência de entes completamente DESLIGADOS, separados por abismo ou obstáculo intransponível, impedindo o acesso de um ao outro. 

A Mulher do Gênesis é a COISA NOVA NA TERRA (Jr 31.22), cuja peculiaridade é que fora formada sem pecado, sem o concurso da maldade, sendo que o domínio da antiga serpente não recaiu sobre ela.

Noutra profecia, é dita a condição dessa Mulher: “De longe me aparecia o Senhor: AMO-TE COM AMOR ETERNO, E POR ISSO A TI ESTENDI O MEU FAVOR. RECONSTRUIR-TE-EI, E SERÁS RESTAURADA, Ó VIRGEM DE ISRAEL!11 Virás, ornada de tamborins participar de alegres danças. (Jeremias 31. 3 e 4)12

Em hebraico, estendi (maw-shac) significa ser arrastado para bem longe, esticado por sorte ou algo especial. 

Favor, por seu turno, fora traduzido de cha-sad que é benignidade, Graça completa, préstimo ou pureza extrema. 

Temos daí, na junção das palavras maw-shac + cha-sad um favor PLENO ou GRAÇA PLENA que é a condição supranatural apenas DESSA VIRGEM. 

A expressão “serás restaurada” nitidamente expõe que a Virgem de Israel profetizada, teria os favores plenos de Deus desde o início da sua existência. Ora, restaurar é voltar ao que era antes no princípio. E tudo no princípio era santo e puro.

Ainda sobre a pureza da Virgem profetizada em Jeremias 31. 3 e 4, reportamos a saudação angelical à Virgem Maria, quando da anunciação: “ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR É CONVOSCO!” (S. Lucas 1, 28)

Notadamente CHEIA DE GRAÇA (Gratia Plena) se origina do grego kekaritomene:

“28 kai eiselqwn o aggeloV proV authn eipen caire kecaritwmenh (κεχαριτωμένη) o kurioV meta sou euloghmenh su en gunaixin

Kekaritomene é um hibridismo (palavra composta) que possui um núcleo verbal ou radical (charitó); prefixo (ke) e sufixo (mene), formando um termo único e inédito nas Escrituras, só usado para a Virgem Mãe, qual seja: ke + charitó + mene = (ke)karito(mene).

Charitó (χαριτόω) indica uma Graça totalmente preenchida, PLENA em quantitativo  e intensidade, tanto que é a expressão usada pelos hagiógrafos para definir a natureza da Graça em Cristo.13

Sendo Cristo eterno e incriado, a Graça Plena está Nele de maneira eterna e incriada em sua essência, sendo Ele a própria Graça Personificada.

Já a Graça Plena aplicada na criatura como atributo por participação em Deus, por não ser eterna, haveria de se estabelecer o seu início e permanência.

Para distinguir a Plenitude da Graça mariana em relação a Graça SUPERIOR em Cristo, delimitou-se no tempo o favor recebido pela Virgem.

O prefixo “ke”conduz o tempo do verbo para o particípio pretérito, indicando que a ação de agraciar a Virgem já tinha sido completada no passado mais remoto, ou seja, desde sua origem, sendo a origem do ser a sua concepção: “ido(a) ou ado(a)” – agraciar/ agraciado.

Já o sufixo “menh” indica que aquela que foi agraciada no passado, assim continuará permanentemente.

Se o prefixo ke ampliou a Graça mariana até o pretérito, a palavra menh (men-e/μενη) proclamou sua conservação e permanência, o que demonstra uma ação pretérita continuativa num futuro inalterável.

O radical ou núcleo verbal da frase (charitós) significa GRAÇA INTENSA e SUPERABUNDANTE, tanto é que usada para expressar a Graça da Salvação que está em Cristo:

“Para louvor e glória de SUA GRAÇA, com a qual ELE nos agraciou no amado”.(Efésios 1.6)

eiV epainon doxhV thV CARITOV (χάριτος) autou en h ecaritwsen hmaV en tw hgaphmenw

Somando o prefixo, o sufixo e o radical, temos a expressão GRAÇA COMPLETA ou PLENA desde a origem, conservada permanentemente para que nunca esgote.

Evidente, destarte, que a COISA NOVA NA TERRA (Jr 31.22), criada por Deus para proteger o guerreiro, e que é a Mulher da profecia, tem na pessoa da Virgem Mãe seu enigma revelado.

Maria não entendeu na saudação as palavras do anjo, pois não tinha consciência até então do ineditismo e excepcionalidade de sua condição diante de Deus:

“Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela COM ESTAS PALAVRAS e pôs-se a PENSAR NO QUE SIGNIFICARIA SEMELHANTE SAUDAÇÃO.” (Lc 1. 28 e 29)

A finalidade da proteção da Mulher ao varão, conforme instituído por Deus, não é de difícil compreensão.

Todos os que tomam a carne ancestral de Adão estão submissos ao pecado original e a maldade desde a concepção, o que lhes fará obrar de modo desordenado ao tempo da razão e arbítrio mediante o pecado venial.14 

Sendo Cristo plenamente homem, e tomando em sua Encarnação a carne da natureza adâmica, seria correto afirmar que também Ele em SUA HUMANIDADE ficaria à mercê do pecado, nesta regra geral e universal.

Mas para concordar com os antigos e novos gnósticos (os protestantes, segundo os quais, Cristo fora concebido em carne pecadora sem se macular por estar unido à Divindade), era necessário que no ato da Encarnação a Divindade lá estivesse primeiro, antes de iniciar a concepção, para assim proteger integralmente e desde o princípio a Humanidade a ser tomada pelo Logos.

Laboram em erro como sempre, pois na assunção das partes do Verbo Encarnado, é a HUMANIDADE a PRIMEIRA parte a SER FORMADA, para só depois a Divindade Encarnar na humanidade concebida, como testificou São Paulo sobre a antropologia humana:

“semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo animal, também há um espiritual. (I Cor 15,44) Mas NÃO É O ESPIRITUAL QUE VEM PRIMEIRO, E SIM O ANIMAL;15 o espiritual vem depois.” (I Cor 15, 46)

Por isso, Cristo primeiro é DEUS ENCARNADO, para só depois tornar-se HOMEM DIVINIO.

Vindo primeiro o animal, é fato que antes da finalizada a concepção realizada pelo Espírito Santo, podia a carne de Maria, pela ordem natural, transmitir ao Filho a natureza pecaminosa, caso assim fosse.

Por isso,não convinha ao Verbo uma Mãe pecadora, pois receberia dela a herança ancestral do pecado adâmico antes que sua Humanidade fosse assumida pela Divindade.

Ensinou também Santo Tomás:

“a carne não deveria ser assumida pelo Verbo, senão ANTES DE SER CARNE humana. (Suma Teológica, art. 4, Da Assunção das Partes)”

E ainda Santo Atanásio:

“É O CORPO da VIRGEM que o PROTEGE, onde Ele fez o seu SANTUÁRIO; na Virgem Ele edificou um CORPO SANTO, e dele se apropriou, e fê-lo instrumento para nos dar.” (Da Encarnação do Verbo, anos 296 à 373, in Atanasius, ano p.80 par.18 Cap.)

Santuário é local feito imaculado para que Deus nele habitasse.

Ora, se os santuários feito pelas mãos dos judeus tinham de ser puros, dirá o SANTUÁRIO onde o VERBO HABITARIA e Encarnaria.

Porquanto é certo que o Ventre de Maria, sendo a PORTA aberta para que Deus entrasse na terra, tornou-se a extensão do próprio Santuário Celestial, um Santiário perfeito, não confeccionado por mãos humanas, como reconheceu o apóstolo São Paulo, na Carta aos hebreus, e também o profeta Jeremias (Jr 44. 1 e 2):

“Ele reconduziu-me ao PÓRTICO EXTERIOR DO SANTUÁRIO, que fica FRONTEIRO AO ORIENTE, o qual se achava fechado. 2. O SENHOR DISSE-ME: ESTE PÓRTICO FICARÁ FECHADO. NINGUÉM O ABRIRÁ, NINGUÉM AÍ PASSARÁ, PORQUE O SENHOR, DEUS DE ISRAEL, AÍ PASSOU; ELE PERMANECERÁ FECHADO.”

Sobre isso, encerra Santo Agostinho:

“Quem é esse PORTÃO FECHADO (Ez 44. 1-4) se não for MARIA? (in Tratando sobre a Santa Virgindade, IV)”

“REVERENCIAREIS O MEU SANTUÁRIO. Eu sou o Senhor.” (Levítico 26, 2)

Ainda subvertendo a ordem das partes na Encarnação do Verbo, admitida a ridícula hipótese na qual o Logos já estaria na humanidade, antes da humanidade estar concebida (sic), o que teria impedido o pecado em Cristo pela carne que lhe veio da Mãe, tal ideia implicaria que Ele precisou remover o pecado de si mesmo.

Seria motivo de deboche no inferno um salvador que precisou ser salvo.

Excluindo todas essas teorias heréticas, resta claro nas Escrituras é que lhe fora dada uma Mãe, uma Mulher Santíssima como escudo, cerco que impediu que a Humanidade, ANTES DE SE UNIR A DIVINDADE recebesse o pecado, pois “é o animal que vem primeiro; o espiritual vem depois.

Todavia, acusam ainda os protestantes, que para aceitar a imaculação em Mari, teria que se aceitar que também os pais dela, e sucessivamente todos os seus ancestrais tivessem sido imaculados.

Tal afirmação beira a inanição intelectual.

Se o pecado é transmitido apenas pelas mães aos filhos (Salmo 51,5), de certo que para cessar a possibilidade da transmissão, bastaria ao Filho que a carne de sua Mãe restasse isenta da condição pecaminosa.

Aquela que não poderia transmitir o pecado, é a que também não poderia receber.

Cristo não recebeu nada dos avós carnais, nem da parentela da Santíssima, senão diretamente da Virgem.

Além disso, não concebem intelectualmente os cismáticos, auto intitulados “reformadores,” que a pureza de Maria decorreu de ato de salvação e intervenção Divina; enquanto a Pureza de Cristo decorre de ato de Poder Soberano.

Maria não foi pura por sua própria essência ou mérito, mas purificada porque tinha recebido de sua mãe, a condição de sujeita ao pecado, a qual lhe fora retirada porque não podia retransmitir essa condição ao Filho Divino, pois a Humanidade Dele ainda não estava UNIDA à Divindade.

Sujeição é a possibilidade de vir a pecar, que em Maria foi retirada, e na Humanidade de Jesus jamais existiu, porque o processo de transmissão maternal do pecado em sua Mãe restou cessado. Não por outra razão, a Igreja jamais afirmou que Maria não tenha sido salva. Afirmou sim, que sua salvação, assim como sua Maternidade, obrou-se de maneira EXTRAORDINÁRIA.

Por isso, o Magnificat: “ Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,meu espírito exulta de alegria em Deus, MEU SALVADOR” (Lc 1. 46 e 47)

Por isso, nossa obrigação honrá-la e venerá-la por todas as gerações, e não como fazem os heréticos, tentando imputar mácula naquilo que Deus fez santo:

“Porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me PROCLAMARÃO BEM-AVENTURADA TODAS AS GERAÇÕES.” (Lc 1. 48)

 

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  1. https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com.br/2017/07/a-santissima-trindade-na-tradicao-e-nas_9.html?q=trindade
  2. Os patriarcas; deles DESCENDE CRISTO, segundo a CARNE,o qual é, sobre todas as coisas, DEUS Bendito para sempre. (Rm 9. 5)” “JESUS CRISTO, Nosso Senhor, descendente de Davi quanto à CARNE, (Rm 1. 3)” “veio socorro, não dos anjos, E SIM DA RAÇA DE ABRAÃO. (Hb 2, 16)”
  3. O PROTESTANTISMO é o responsável pelo ressurgimento das antigas heresias cristológicas, dentre elas, a chamada HERESIA NESTORIANA (Concílio de Éfeso, ano 431), pois para negar que Maria seja Mãe de Deus através de Cristo, apelam à falaciosa teoria de que existem dois Cristo, Divino e Humano, e não uma Pessoa Divina do Filho, que possui duas Naturezas, a Divina e a Humana.
  4. As Escrituras, portanto, proclamam a MATERNIDADE DIVINA em Maria.
  5. Santo que há de nascer de ti.” SANTO é atributo que predica DEUS, não predica homens, senão apenas por participação em Deus (Não há ninguém Santo como o SENHOR; não existe outro além de ti.II Sm 2.2), demonstrando que o que Maria gera não é simplesmente homem, mas Deus Encarnado homem.
  6. Conforme ensina a Tradição e o Magistério Infalível da Igreja, união hipostática é quando se está unido, sem confusão e sem divisão dos elementos.
  7. Tal como a salvação dos profetas, mártires e heróis da fé que morreram antes do sacrifício de Cristo, Maria Santíssima é também salva pelo efeito prévio do Sacrifício de Jesus, que por ter efeito eterno, que retroage ao princípio dos tempos. Maria, entretanto, é salva antecipadamente, antes que o contato com o pecado lhe produzisse atos de pecado. Deus em sua Onipotência, governa o tempo (cronnos), estando em seu domínio o passado, presente e o futuro, podendo tanto salvar pela redenção consumada (tirando os efeitos do pecado cometido); ou salvando pela precedente (impedindo o pecado de se realizar), porque Ele é o ALFA e o OMEGA, início (passado) e o fim (futuro), estando no passado, no presente e no futuro.
  8. Nas profecias de Jeremias, a cidade de Jerusalém, outrora santa, é sempre retratada como traidora, a FILHA REBELDE, FILHA DA PROSTITUIÇÃO: “Viste o que fez a REBELDE ISRAEL?Ela foi a todo o monte alto, e debaixo de toda a árvore verde, e ali andou se prostituindo.(Jr3.6); Já vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, JERUSALÉM! Até quando ainda não te purificarás? (Jr1 3.27) Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó SENHOR, age por amor do teu nome; porque as rebeldias se multiplicaram.(Jr 14.7)
  9. No hebraico protegerá, cercará (sowe-beb) formará em torno do homem barreira intransponível.  http://biblehub.com/hebrew/tesoev_5437.htm
  10. http://biblehub.com/lexicon/genesis/3-15.htm
  11. Nas profecias de Jeremias, a cidade de Jerusalém é a prostituta. Refere-se a profecia, tanto a Virgem de Israel enquanto corrompida (Jerusalém), quanto a Virgem de Israel enquanto mantida imaculada (Virgem Maria)
  12. http://biblehub.com/lexicon/jeremiah/31-3.htm
  13. Efésios 1.16.
  14. Pecados pessoais, cometidos em razão do uso desordenado da liberdade humana.
  15. Tal como o primeiro Adão, cuja criação em partes, precedeu a matéria ou corpo, e só depois lhe foi soprado o espírito, também o Novo Adão, Cristo, é formado primeiro na matéria da sua Humanidade, para só depois ser nesta Humanidade depositado o Logos.

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