Adoração

O QUE É ADORAÇÃO?

A adoração de ABEL distinguiu de  CAIM, por reconhecer não haver mérito humano digno de ofertório:  “Ofereceu Caim frutos da terra em oblação; mas o Senhor NÃO OLHOU para sua OFERTA, NEM PARA OS SEUS DONS.  (Gn 4. 3 e 5)" "Abel ofertou PRIMOGÊNITO do seu rebanho; e o SENHOR OLHOU COM AGRADO PARA SUA OBLAÇÃO." (Gn 4. 4)

ADORAÇÃO vem do grego, que é ato de latria (λατρεία)1 significando o Culto de submissão a Deus mediante oferta de sacrifício pelos pecados.

É oferta, mas que não se realiza por qualquer ato sacrificial idealizado pelo indivíduo, vez que o destinatário da oferenda estabeleceu meios e formas próprias, solenes e exclusivas para adorar.

É ato sobrenatural que une o ser humano em Deus, e portanto, só pode ocorrer através do próprio Deus.

Ensina Santo Tomás: — “sem Deus, o homem não pode absolutamente nada, nem fazer bem nenhum: a Graça é necessária não só para lhes dar a conhecer o que praticar, mas para fazer o que fora informado; […] O homem não pode cumprir o preceito de amor a Deus só por suas faculdades naturais. (Q 109, art. 4º Suma, ano 1.256, in Tratado da Graça)”

Na Antiga Aliança se fazia através da liturgia do propiciatório,2 com sacrifício de primogênitos de cordeiros, cujo sangue se aspergia e a carne se queimava  (holocausto) para que a fumaça, subindo, representasse o sacrifício, ressurreição e a ascensão ao Céu do Verdadeiro Cordeiro de Deus: 

“IMOLARÁS um NOVILHO em SACRIFÍCIO expiatório pelo pecado; por esse sacrifício TIRARÁS o PECADO do ALTAR. (Êxodo 29. 36) “

“Moisés tomou o sangue para aspergir com ele o povo: “Eis O SANGUE DA ALIANÇA QUE O SENHOR FEZ CONOSCO.” (Êxodo. 24. 8) “

Mais tarde, a adoração vetero testamentária transferiu-se para o Monte Sião: 

“subiram à montanha de Sião; PROSTRARAM-SE COM O ROSTO POR TERRA;3 e ofereceram um SACRIFÍCIO LEGAL sobre o novo ALTAR dos holocaustos que haviam construído. (I Mac. 4. 37, 40 e 53) “

Na Verdadeira Adoração os méritos, talentos ou virtudes humanas são dispensáveis.

Agride Deus qualquer tentativa de ofertar por mérito humano próprio, algo que possa entender como equivalente à sua Dignidade Divina. 

Por isso, a adoração de ABEL distinguiu de  CAIM, por reconhecer não haver oferta ou mérito humano digno de ofertório.

Caim sendo agricultor ofertou dos seus méritos: 

“Ofereceu Caim, os frutos da terra em oblação ao Senhor; mas o Senhor NÃO OLHOU para sua OFERTA, NEM PARA OS SEUS DONS.  (Gn. 4. 3 e 5) ”

“Abel, de seu lado, ofereceu dos PRIMOGÊNITOS do seu rebanho; e o SENHOR OLHOU COM AGRADO PARA ABEL E SUA OBLAÇÃO. (Gn. 4. 4)

O cordeiro de Abel representou o Cristo pois no sacrifício animal havia dor, vida, morte, sangue, lágrima, enfim os elementos que futuramente comporiam o cenário da crucificação no calvário.

Ofertou ainda que simbolicamente o melhor  de Deus para Deus, eis que na Latria não há espaço para dons e talento humano (Gn. 4. 1 à 4), pois não é dado ofertar aquilo que não seja próprio de Deus. 

Já na antiga adoração iniciou-se o prenúncio de uma OUTRA  ADORAÇÃO,  vinda por uma NOVA ALIANÇA, diferente da Aliança feita  com Moisés, mediante aspersão de sangue de cabritos e cordeiros em holocaustos.

Com o tempo, PÃES e VINHOS passam a compor o Altar, para serem ingeridos junto com parte da carne sacrificada, antes de ser ofertada em holocausto:

“Amontoai holocaustos sobre os sacrifícios, e deles COMEI  A CARNE . (Jeremias 7. 21) “

“oferecereis ao Senhor em holocausto um cordeiro […] mais libação de VINHO; Ofereceis com PÃO em HOLOCAUSTO.” (Lev. 1. 12, 18 e 23)

“sobem a ADORAR em Betel, levando um três cabritos, outro três fatias de PÃO, e o terceiro um odre de VINHO. ” (I Samuel 10. 3)

“A carne da vítima de ação de Graças4 oferecida em sacrifício pacífico, SERÁ COMIDA NO DIA DA OBLAÇÃO, com uma cesta de PÃES SEM FERMENTO, com a oblação e libações habituais.” (Levítico 7. 13 à 15)

Surgia assim, a adoração mediante os sacrifícios de hóstia, na qual a vítima sacrificada é comida pelo ofertante, que assim se torna oferta na comunhão com seu sacrifício, tal como explicou São Paulo em relação a Eucaristia:

“Eu vos exorto, pois, irmãos, pela Misericórdia de Deus, a OFERTARDES VOSSOS CORPOS EM SACRIFÍCIO vivo, santo e agradável a Deus: é esse o vosso CULTO racional. (Romanos 12.1)”

E como poderemos oferecer nossos corpos santos em sacrifício a Deus?

“O CÁLICE de bênção, que benzemos, NÃO É A COMUNHÃO DO SANGUE DE CRISTO?

“E O PÃO QUE PARTIMOS NÃO É A COMUNHÃO COM O CORPO DE CRISTO? (I Cor. 10. 16, 17 e 18)

“NÃO ENTRAM EM COMUNHÃO COM O ALTAR OS QUE COMEM AS VÍTIMAS.” ( II Cor 10, 16, 17 e 18)

Encontramos especificamente esse prenúncio da nova adoração nas representações do Cristo Martirizado, e nas antigas Ceias do Cordeiro Pascoal  e  de Melquesedec.

A adoração no Cordeiro Pascoal, deu-se nos preparativos para a fuga do  Egito: “cada um tome um CORDEIRO por família, por casa […]; então toda assembleia5  de Israel o IMOLARÁ no crepúsculo. Tomarão do seu SANGUE, e pô-lo-ão sobre as duas ombreias e sobre a verga da porta das casas em que o comerem. Naquela noite, COMERÃO DA CARNE assada ao fogo, COM PÃES SEM FERMENTO. (Ex. 12. 2 À 20)

Ensina Santo Tomás: 

“O Cristo Padecente contido no sacramento, figura dele foram os sacrifícios do Testamento Velho e sobretudo a expiação, que era soleníssima. […] O Cordeiro Pascal PREFIGURAVA Eucaristia, porque: — era comido com pães asmos; — era imolado por toda a multidão dos filhos de Israel na décima quarta lua que figura a Paixão de Cristo, chamado Cordeiro; — porque pelo sangue do cordeiro pascal, os filhos de Israel foram protegidos contra o anjo devastador, e tirados da escravidão do Egito.6 Por isso, é figura precípua deste sacramento por lhe representar  em tudo. (Suma Teológica Art. 4º Q 73 – Dos Sacramentos).”

Figurou por completo unindo o antigo  ao novo pelos elementos (carne, pão e sangue), alterando a forma sem desfigurar a essência desse mandamento sacrificial que é perpétuo:

“Observareis esse costume como uma INSTITUIÇÃO PERPÉTUA para vós e vossos filhos.” (Êx. 12. 24)”

E essa celebração hodiernamente está contida na Eucaristia, porquanto em  Cristo “tudo se fez novo.” (I Cor. 5, 17).

Já a Ceia de Melquesedec modelou a adoração eucarística de modo mais clarividente ao figurar apenas no pão e vinho:

“Melquisedec, rei de Salém e sacerdote do Altíssimo, mandou trazer PÃO E VINHO, e o abençoou Abraão, dizendo: – Bendito seja Abraão, pelo Deus Altíssimo que criou o céu e a terra.” (Gn 14. 17 e 18)

E conforme dito sobre Cristo: — “Tu És, Sacerdote Eternamente, segundo a Ordem de Melquisedec.” (Hebreus 7, 11, 15 e 17)”

Sobre esta passagem ensinou Santo Agostinho:

“Ofereceremos por toda parte, sob o grande Pontífice Jesus Cristo, aquilo que ofereceu Melquisedeque. (l`église et les sacrements, in revista  communicantes n 35, octobre, 1990, p. 4)”

Com a vinda de Cristo, a Encarnação do Verbo de Deus, oficialmente se institui a NOVA ADORAÇÃO que só pode ser celebrada através da CORPO SACRIFICADO e do ESPÍRITO DIVINO do Cordeiro de Deus.

“E tendo dado Graças, o partiu e disse: – Tomais e comei, isto é o Meu Corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória7 de mim.” (I Cor. 11. 24)

Dessa maneira, a antiga adoração de Moisés, concebida pelo sangue do cordeiro animal (Eis o SANGUE DA ALIANÇA que o Senhor fez convosco. Ex. 24. 8) era substituída pela Verdadeira Adoração que se mediou no Sangue do Cordeiro do Céu (ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA ALIANÇA. Mt. 26. 28).

Estava instituída eternamente (ad perpetuam rei memoriam), a MISSA que é o legítimo Culto de Adoração Cristocêntrico realizado no memorial da Comunhão viva, real e presente do Sacrifício de Cristo. Desse modo, cumpriam-se as profecias sobre a vinda da Nova Adoração, não realizada somente pelo povo hebreu, mas universalmente (katholikós) em todos os povos e nações:

“SACRIFICAM a mim em TODO LUGAR e oferecem em meu nome uma OBLAÇÃO TODA PURA, pois grande é o Meu Nome em TODAS as nações. (Mal. 1,11).”

“NÃO COMAM DA ALIANÇA QUE FIZ COM OS SEUS PAIS no dia em que os tomei para tirá-los da terra do Egito. (Hebreus 9.)”

“Há na MÃO do SENHOR uma taça de VINHO espumante e aromático. DELA DÁ DE BEBER. E até as fezes hão de esgotá-la; HÃO de SORVÊ-LA os ÍMPIOS TODOS da TERRA.” (Salmo 74, 9)

“sobre a mesa dos pães da proposição, o PÃO PERPÉTUO estará sobre ela.” (Num. 7. 4)”

“não faltarão jamais descendentes aos sacerdotes e aos levitas para oferecer os holocaustos, queimar as oferendas e celebrar o SACRIFÍCIO COTIDIANO.8 (Jeremias 33. 15 à 18)”

Não se pode confundir o ato de adoração com a conduta de santificação, como crenças não católicas fazem.

Levar uma vida com SACRIFÍCIO e Virtudes cristãs não é adoração, mas requisito indispensável para tornar nossa adoração aceita, como ensinava o salmista:

“19. Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar. 21. ENTÃO ACEITAREIS OS SACRIFÍCIOS PRESCRITOS, AS OFERENDAS E OS HOLOCAUSTOS; E SOBRE VOSSO ALTAR VÍTIMAS VOS SERÃO OFERECIDAS.  (Salmo 50) “

Além disto, viver com virtude ética e moral, muitos céticos, sem ter fé cristã fazem, não podendo ter-se essa conduta como atos de adoração a Deus.

Noutra linha, cânticos, louvores e outras manifestações artísticas não servem como adoração, porque são méritos humanos, não trazendo a Comunhão com o sacrifício do Cordeiro de Deus, como aliás orientava o Profeta:

“Ai, ai! Eu odeio e ignoro as vossas festas religiosas; também não suporto as vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, vossos sacrifícios queimados, com vossas ofertas de cereais, não me agradarei disso tudo; tampouco olharei para as ofertas de paz e comunhão, mesmo que sejam de vossos melhores animais de engorda. (Amós 5. 21 e 22)

“Longe de mim o ruído dos vossos cânticos, NÃO QUERO MAIS ouvir os RUÍDOS DE VOSSAS HARPAS.” (Amós 5. 23) 

Por fim, saliento que louvor não é culto de adoração (latria), mas simples dulia,9 que é um CULTO INFERIOR, manifestação externa de honraria e reverência não exclusivamente destinada a Deus, como ensinam as Escrituras: – “a mulher inteligente é a que se DEVE LOUVAR.” (Provérbios 31, 30)

 

__________

  1. http://biblehub.com/hebrew/5647.htm

2.Propiciatório: sangue aspergido para remissão dos pecados antes da Graça, desviando a Justiça condenatória de Deus sobre nós. (Pe. Le Brun – Explication  de la Messe” 1ª Ed. 1716, p.12)”

  1. Quando o ato de prostrar não significa adoração, mas apenas veneração. 

https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com.br/2016/11/ajoelhar-e-sempre-um-ato-de-adoracao-os.html

  1. No grego eucaristia significa “ação da Graça.”
  2. Ekklesia (igreja) em sentido de congregação.
  3. A “escravidão do Egito” é a “escravidão do pecado.”

7.https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com.br/2016/11/eucaristia-memorhttps://afecatolicanasescrituras.blogspot.com.br/2016/11/eucaristia-memoria-postuma-ou-presenca.htmlia-postuma-ou-presenca.html

8.O pão nosso de cada dia, (COTIDIANO) nos dai hoje; (Mt 6. 11)

  1. Diferença entre culto de dulia e culto de latria: 

https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com.br/2016/11/adoracao-e-veneracao_12.html

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